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Jardim das Delícias


Domingo, 16.08.20

Canções antigas - Adão Cruz

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Adão Cruz  Canções antigas

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(Adão Cruz)

Na recordação das canções antigas
veste-se meu coração das verdes folhas do desejo
o entoa na fragrância dos campos
a melodia dos olhos pendurados na profundidade do céu.
Na sombra da figueira diz-me adeus o sol
em acenos de azul e violeta
por entre os ramos e os sons de uma flauta de lábios doces
que por ali poisou entre sonhos infinitos do lusco-fusco.
As primeiras chuvas do verão humedecem como lágrimas
as palavras ditas e não ditas
no silêncio dos caminhos perfumados de terra e folhas molhadas.
E nada se reconhece na lembrança muda das tardes
que para sempre morreram
mas os passos ecoam em silêncio por entre os pés das oliveiras
onde outrora floriram mil risos de criança.
Que fez de mim este crepúsculo azul
como flecha espetada no vento
ferindo de morte toda a vida de meu sonho-menino?
Onde está a pedra que se fez montanha
o regato que se fez rio
a tripla chama da vida nua
quando sagradas selvas e misteriosas crenças de punhal à cinta
quiseram que fosse santa?
Meu coração peregrino de seu perdido tesouro
entre o sol e as desgarradas nuvens de infinitos céus
ainda hoje se arrasta entre a razão e o abismo
em pálido reflexo de ouro para ser criança na hora de partir.

 

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por Augusta Clara às 23:16

Quarta-feira, 05.08.20

Um bramido de raiva - Adão Cruz

ao cair da tarde 5b.jpg

 

Adão Cruz  Um bramido de raiva

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(pormenor de quadro de Adão Cruz)

Senti um frio arrepiante e um buraco negro nas entranhas,
tão fundo como a silhueta daquele maldito comboio da
inglória velocidade rebentando a dor direito à morte que está
em pé na berma do cais, pela mão de uma criança.

 

O pai, nos braços de um escombro deste mundo sem sol
e sem lua, destino bárbaro e cruel da perda total, de mão dada
com o filho contra a majestade de um gélido cadafalso de
ferro, parido pela força de um desumano progresso contra o
qual se esmagam os pobres e desamparados que vivem em
contramão.

 

Meu menino sonâmbulo, de olhos negros e pálida doçura
quase luminosa, firme, terna, inocente, confiante na verdade
desfeita em sangue pela mentira das mãos fatalistas de uma
sociedade podre.

 

Podia ser um menino nascido no berço do lado, ao colo de um
pai ou de um avô milionário, desiludido porque a sua fortuna
não havia atingido o limiar do absurdo, o que não deixava de
ser triste, mas a vida filha da puta, meu menino pobre, nada
mais te deu do que um pai sem nada, sem prendas, sem força
nem entreactos que te enxergassem melhor sorte do que a
morte.

 

O monstruoso comboio entra na tua boca a toda a brida, o
ar louco sai em turbilhão do teu pequenino peito sem eco, a
vida estilhaça-se em ruidoso estrondo e o teu corpo frágil
cai em pedaços sobre os bonecos das tuas meias, no pavoroso
silêncio dos teus olhitos redondos.

 

E o mundo continua como se nada tivesse acontecido.

 

Quando vi que eras tu o menino que estava no curto
caminho da morte pela mão de um pai que não dominava
a fome, e não tinha dinheiro para te comprar uma bola, um
pai que não sorria nem cantava para ti porque a alma se
perdeu na praça do medo com o sol congelado na boca, senti
um bramido de raiva e uma louca vontade de pedir contas a
Deus.

...

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por Augusta Clara às 14:39

Sexta-feira, 22.05.20

Mãe - Adão Cruz

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Adão Cruz  Mãe

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(Adão Cruz)

 

Mãe
a palavra universal
a palavra mais consensual da humanidade.
Nem Deus…
Deus é de uns e não de outros
Deus é conceito de muitos
e negação de outros tantos.
A mãe é de todos sem excepção
a mãe é de todos e é só nossa
a mãe é do crente e do ateu
a mãe é do pobre e do rico
do sábio e do ignorante.
A mãe é dos poetas
dos filósofos e artistas
dos bons e dos maus
a mãe é do amigo e do inimigo.
Não há mãe de uns e não de outros
não há ninguém sem mãe
e não há mãe de ninguém.
A mãe é de toda a gente
a mãe é de cada um
a mãe é do mundo inteiro
e do nosso mais pequeno recanto.
A mãe é do longe e do perto
da água e do fogo
do sangue e das lágrimas
da alegria e da tristeza
da doçura e da amargura
da força e da fraqueza.
A mãe é certeza e aventura
medo e firmeza
dúvida e crença
a haste que se ergue no céu
ou se aninha rente ao chão
para que a morte a não vença.
A mãe é a outra parte de nós
sem mãe somos metade
sem mãe nada é exacto
igual a um
igual a infinito
onde se tocam princípio e fim
onde os tempos se encontram
sem presente passado e futuro.
A mãe é a lágrima que não seca
no sorriso que não se apaga
a nuvem que chove no sol que aquece
a mensagem da luz e da harmonia
e dos acordes matinais
com que abre o nosso dia.
A mãe levanta-se nas lágrimas da noite
e mesmo cansada
não perde a voz nem a cor da madrugada.
A mãe é a voz que se não teme
a voz que se confia
a voz que tudo diz
nas consoantes do grito
nas vogais do silêncio
nos abismos da agonia.
Mãe
primeira palavra a nascer
a última palavra a morrer.
A mãe é sempre a mesma
a mãe nunca é outra
na sua infinita diferença.
A mãe é criação
a mãe é sempre o fim
da obra-prima inacabada
a mãe nunca é ensaio
nem esboço nem projecto.
A mãe é um milagre
no milagre do mundo
o único milagre concebido
real e concreto.
Chora para que outros riam
ri para que a dor a não mate
mistura-se com a luz das estrelas
para vencer a escuridão
devora as nuvens por um raio de sol.
A mãe é beleza e poesia
aurora fulgurante
aurora adormecida
a mãe é bela porque é simples
porque nasce da silenciosa lógica da vida.
A mãe é fragilidade da semente
a força do tronco
a beleza da flor
a doçura do fruto
o dom de renascer.
A mãe é tudo numa só coisa
AMOR.

 

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por Augusta Clara às 13:34

Quarta-feira, 29.04.20

Já não entendo este mundo - Adão Cruz

o balanço das folhas3.jpg

 

Adão Cruz  Já não entendo este mundo

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(MANEL CRUZ)

 

Não entendo este mundo moribundo
este mundo escuro
nascido sem sol e sem luar
já não entendo esta onda de sismos e cifrões
esta dor de milhões de cabeças rolando como esferas
para o fundo dos abismos.
Não entendo este mundo dilacerado e sem vida
já não aguento este frio de quatro paredes
este jogo no vazio cemitério da história
este profundo alarido
este diabólico mistério de morte concebido
esta vida sem sentido a que chama mercado
e “democracia”
a argentária escória.
Não entendo este mundo de olhos vendados
com barras de ferro
este silêncio absorto e abstracto
no assalto impune a soberanas nações
este mundo de vidas e almas sem direitos nem justiça
este mar de sangue escorrendo
pelas garras dos algozes
este rasgar de corações
este martírio dolorosamente tatuado na pele dos inocentes
por tanques e aviões
este mundo ameaçado por mísseis e canhões.
já não entendo tantas metástases
deste cancro da guerra
este perigo sistémico diariamente arquitectado
esta inelutável evolução para a desordem suprema.
Já não sou capaz de aguentar
o peso do crime chamado superlucro
brilhando como a luz do inferno na ponta dos punhais.
Não entendo este mundo
escorraçado para as bermas da fome
por esta infame corrida para um podium inglório
por entre as malhas da ganância enlouquecida
neste imparável caminho do caos e da fatalidade
na ensanguentada bandeira erguida para o nada
no constante apunhalar da liberdade.
Já não entendo este mundo apodrecido
na secura do grande rio da esperança.
Já não acredito no sonho do poeta
quando subiu a colina
para admirar o céu povoado de estrelas.

 

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por Augusta Clara às 22:16

Segunda-feira, 20.04.20

AntiDeuteronômio II - Adão Cruz

ao cair da tarde 5b.jpg

 

Adão Cruz  AntiDeuteronômio II

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(Adão Cruz)

No tempo em que as sardinheiras das varandas dos pobres
faziam parte dos nossos sonhos
florindo em poemas de sol e de cor
no tempo em que as andorinhas
teciam grinaldas de vida nos beirais
no tempo em que os rios bordavam a terra de areia branca
no tempo em que a brisa sussurrava
por entre as flores
e as fontes murmuravam seus amores
a aurora da nossa inquietação tinha o cheiro a maçãs
e o pulsar das coisa vivas
e o levíssimo sorriso dos jardins do paraíso.
Tudo amávamos em nobre sentimento de exaltação
o mundo era transparente e fácil de amar
e cheirava a feno
a razão ondulava a frágil seara
em suave alento na quietude universal da liberdade
como harmoniosa mulher suspirando ao vento.
Tão inocente amor
tanta alegria
quem pensaria que os rios de pranto
haveriam de chegar um dia
em negra nuvem de calado voo.
Não podemos deixar que a nuvem negra
se abata sobre nós e o pensamento…
e o pensamento nos agarre no desértico silêncio
sentados ao vento
no falso sol da varanda da ilusão
e da erosão da consciência adormecida.
Não podemos deixar que a todos nos transforme
em filhos da morte
filhos de nenhum lugar e de toda a parte
figuras do vale das sombras
esgueirando-se nas sombras de outras sombras
sonâmbulos fantasmas
sem gestos de vida que nos façam acordar.
E quando for dia de sol bem alto
porque haverá sempre um dia
a rasgar a deuteronómica nuvem negra
que ameaça os campos do futuro
e o sereno assombro das pedras
e os peixes verdes dos poemas
e os rubros sorrisos que cheiram a mar
e os passos dos que aprendem a andar
e os rios que correm nos olhos de uma criança
e a memória sem tempo
jamais a exaltação da santidade
estará na morte e nas cinzas da cidade.
E não haverá espinhos nos olhos
e aguilhões nos flancos da vida…
e não haverá armas de destruição maciça
no coração das mães dos filhos exterminados.
Na diáfana manhã de um novo dia
apenas a plangente harmonia de um Stabat Mater.

 

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por Augusta Clara às 18:00

Sábado, 18.04.20

AntiDeuteronómio I - Adão Cruz

ao cair da tarde 5b.jpg

Adão Cruz  AntiDeuteronómio I

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(Adão Cruz)

A cidade está deserta por dentro e por fora de nós.
Começa a não haver vivalma neste lusco-fusco brumoso
neste irracional azul de um céu de chumbo
nesta descrença de manhãs de sonho
tem bicéfalas e bárbaras bandeiras de um
mundo informe e medonho.
Seguir em frente no deserto do fim do dia
dilatar a esperança até que raie a claridade
no ventre da manhã de fogo e sangue
entrar na vereda enlameada e fria
dos homens de aço sem perfil e sem destino
virar na esquina sem luz da esperança perdida
no contra-senso divino…
ou voltar para lugar algum.
Como seria bom continuar eternamente
o caminho que nascendo dentro de nós
em fio de regato cristalino
se perde ingloriamente à flor da pele.
Assim que for dia
se dia chegar a ser nesta aparência de paisagem
não podemos deixar que a nuvem negra sombria
e a negra miragem
venham toldar a aurora da razão
e semear ruínas no coração apodrecido das nações
e no cérebro corrompido por obscenas falas
armas e cifrões
de imperiais e acéfalos patrões.
Se libertarmos da nuvem negra
a aurora da nossa interrogação
se impedirmos a negra nuvem
de apagar a luz da inquietação
na incontornável unidade do pensamento e da razão
o poema incendiará as asas do vento
e queimará as garras dos abutres
devolvendo à humanidade algum alento.
A terra engolirá os exércitos genocidas
que à sombra da nuvem negra
de deuteronómicos evangelhos
a ferro e fogo se empanturram de vidas
e se embebedam de sangue
para glória do Senhor dos Exércitos…
e jamais haverá Deuteronómio que resista
por mais petróleo que na terra exista.

 

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por Augusta Clara às 16:02

Quinta-feira, 16.04.20

A morte do poeta - Adão Cruz

ao cair da tarde 5b.jpg

 

Adão Cruz  A morte do poeta

entre merda e mara vilha.jpg

(desenho de Manel Cruz)

O dilema entre o silêncio e a palavra

invade a lógica discursiva

que há no ridículo do poema.

Quem tudo vê e nada sabe

ou é poeta

ou patético peregrino

da teatral mentira que emoldura a poesia

mascarada nos buracos negros das palavras.

Morre a razão e a mente

no espaço vazio do poeta

engolido nas areias movediças

da estupidez do verso. 

Nasce a poesia

na semântica farsa das palavras

escondida nos simbolísticos restos do dilema

entre o silêncio do mundo

caído em pedaços

ou erguido nos absurdos de um poema.

Ninguém conhece a metáfora

da verdade e da mentira

só o poeta

na sua indomável vertigem da ilusão

descobrindo a poesia

nos avessos da razão.

Morre o poeta em suas manhãs de pedra e gelo

entre a verdade da mentira e a mentira da verdade

e todos lhe cobrem o corpo

com lençóis de sedução

no primeiro e último poema

do silêncio e da razão.

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por Augusta Clara às 15:25

Sexta-feira, 03.04.20

Delicadamente - Adão Cruz

ao cair da tarde 5b.jpg

 

Adão Cruz  Delicadamente

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(Adão Cruz)

 

Delicadamente ela abriu a blusa
e levantou os olhos decidida.
Era uma mulher de guerra combatida
daquelas cuja face conta a história.
Mansamente
baixou a medo as alças do soutien
inclinou a cabeça e fechou os olhos
à espera da minha mão.
Depois comemos pão de centeio
molhado num golpe de azeite
bebemos um capitoso vinho
e fomos à procura de uma paisagem com cegonhas.

 

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por Augusta Clara às 17:02

Quarta-feira, 01.04.20

Habemus pacem - Adão Cruz

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Adão Cruz  Habemus pacem

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(Adão Cruz)

 

Magnífica surpresa
nesta saga de poetas para as cinzas nocturnas.
Há um labirinto de ismos que se entrecruzam de pontes
sobre um rio seco
ou um rio desviado para lá de mim.
Um lago de silêncio com a cidade ao longe
regateando simbolismos de esferas ocas
semeadas pelo parque monumental
de outros ismos já mortos
à espera de uma ressurreição
sob o reflexo de mil janelas
empoleiradas nos altos muros da cidade virtual
em serena ode à quietude universal.
Ali na esquina há fumo branco
e o estribilho feroz de um surrealismo macabro
de um débil concretismo experimentalista
hermeticamente grosseiro
gritando aos ares habemus pacem.
Na deserta anatomia do silêncio
onde outrora a poesia já morou
grita bem alto o histórico fóssil da verdade
em pedaços de vida fumegante
e monstruosas resmas de páginas em silêncio.
Montanhas de nomes a apodrecer
entre escombros de pensamentos
que embrulharam a consciência adormecida
durante séculos inglórios
emoldurados de paz e de vida.
Lida a vida a vida inteira
em semânticas fraudes simbolísticas
este atalho de fim de mundo
nada encurta e tudo alonga.
Verdadeiro a correr e a cantar
esgueirando pela rua a frágil seara do corpo
só o paraplégico
fazendo cavalo na cadeira de rodas.
Verdadeiro
apenas aquele gajo sujo
de vanguardas audazes
colado à soleira numa caixa de cartão
mostrando os dentes que não tem
em arremedo de sorriso de ilusão.
Por isso o poeta é um descalabro
à procura de se erguer.

 

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por Augusta Clara às 16:06

Sábado, 29.02.20

In limine - Adão Cruz

a noite fez-se para amar 1a.jpg

 

Adão Cruz  In limine

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(Adão Cruz)

 

Pelos caminhos de prantos e sorrisos
dentro de um tempo farto de horas sem minutos
a vida vai colhendo flores que murcham
por não serem simples flores ou flores simples
sem exigências de estufa ou jardim
flores de terra húmida
céu por cima e sol de permeio.
Em tudo o que me é vida
interfere a vergonha de ser adulto.
Descortino as janelas
que me disseram haver dentro dos homens
e só vejo muralhas.
Nada de crianças.
Os homens comeram as crianças
os homens comeram-se crianças
os homens pariram-se adultos.
Os pongídeos chegaram a homens.
Quinze milhões de anos
para o homem ser bicho…!
Bicho erecto
rastejo de púrpura.
Eu nasci na erva e dormi no feno
e acordei com a voz dos melros e rouxinóis
e saltitei com os pardais
vesti-me de sol e despi-me de luar
estreei o mundo no abraço das árvores e no beijo dos rios.
Meus olhos dormidos casavam a noite e o dia
no mesmo silêncio de sonho-menino.
A vida viveu em mim
crescendo todos os tamanhos
e medindo todos os céus.
Também eu fui criança
e matei em mim a criança que procuro
ao pensar que eram de amor
as mãos que a mataram.
Passei a vida a correr tropeçando nas sombras
arrumei ao canto da luz mil horas vazias
sangradas a curricular futuros
para ser gente na praça dos homens.
Pisei os passos pequeninos nos avessos da verdade
e palmilhei léguas vagarosas a tossir poeira.
Vestido de ausências
fui renascendo de amor pela vida fora
nos infinitos da fantasia
que outros foram matando lentamente
com fruído prazer.

 

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por Augusta Clara às 22:06



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