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Jardim das Delícias


Terça-feira, 26.05.15

Como a CIA falhou na Macedónia - José Goulão

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José Goulão  Como a CIA falhou na Macedónia

 

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 O embaixador dos Estados Unidos com Fadil Fejzullahu, um dos terroristas mortos na intentona (Reseau Voltaire)

 

   Mundo Cão, 25 de Maio de 2015

     O golpe de Estado da CIA previsto para o passado dia 17 na Antiga República Jugoslávia da Macedónia foi desmantelado pelas forças governamentais quando já estava em andamento. É a segunda tentativa de mudança de regime fracassada pela ponta de lança do terrorismo de Estado norte-americano nos últimos meses, depois de o governo venezuelano ter feito abortar uma intentona fascista. Apesar dos insucessos, os acontecimentos revelam que as décadas passam e os Estados Unidos da América continuam a praticar a política de não olhar a meios para atingir os fins – instalar os seus agentes à cabeça de governos onde quer que seja.

O secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, lamentou os acontecimentos na Macedónia e pediu uma investigação “transparente”. Aqui se registam alguns dados já confirmados, num quadro de rigor e transparência. No dia 17 de Maio esteve prevista em Skopje, capital da Macedónia ex-jugoslava, uma manifestação da minoria albanófona na qual seriam distribuídas duas mil máscaras entre os participantes, a entregar pelos organizadores, o Partido Social Democrata de Zoran Zaev. Durante o desfile, alguns desses mascarados atacariam edifícios de várias instituições e tentariam provocar uma “revolução” inspirada nos acontecimentos na Praça Maidan e que deixaram a Ucrânia no estado saudável em que se encontra.

O golpe falhou porque os serviços governamentais macedónios conseguiram deter, em 11 de Maio, a infiltração do comando terrorista que, sob o disfarce das máscaras, iria lançar os ataques durante a manifestação. Todos os principais chefes do comando foram figuras destacadas do UCK, o grupo terrorista islâmico e albanófono a quem a NATO e a União Europeia entregaram o território do Kosovo arbitrariamente amputado à Sérvia. Um dos comandos foi identificado como sendo Rijai Bey, antigo membro da segurança de Ramush Haradinaj, traficante de drogas, antigo chefe militar do UCK e ex-primeiro ministro do Kosovo. Haradinaj compareceu duas vezes perante o tribunal dos crimes na antiga Jugoslâvia e foi absolvido em ambos os casos: durante os processos foram assassinadas nove testemunhas consideradas fundamentais.

A infiltração foi contida pelas forças governamentais durante um confronto no qual morreram 14 terroristas e oito membros dos serviços macedónios. Salomonicamente, o secretário-geral da NATO manifestou “simpatia” pelas famílias de todas as vítimas, abstendo-se de condenar o terrorismo e de manifestar apreço pelo facto de a legitimidade governamental ter prevalecido.

Porém, Washington e o seu embaixador em Skopje, Paul Wohlers, não vão desistir porque na Macedónia se joga também a guerra energética declarada contra a Rússia.

O expansionismo albanês na região, com o apoio da NATO e da União Europeia, é um combustível importante para objectivos como este. O mapa da Grande Albânia, com a integração do Kosovo e de parte da Macedónia, continua afixado nos gabinetes dos chefes de Tirana. Trata-se de uma estratégia a prazo e que, neste caso, serviu interesses mais imediatos. Através do golpe, de que já tinha havido sinais em Janeiro, os Estados Unidos tentaram frustrar a concretização do gasoduto alternativo ao South Stream, que Washington sabotou ao forçar a Bulgária a retirar-se.

Putin não desistiu e em Dezembro do ano passado convenceu a Turquia de Erdogan a colaborar numa alternativa; seguiu-se o acordo do novo governo grego de Tsipras e da Macedónia, negociado em Março. A Sérvia decidiu transitar do falhado South Stream para a nova alternativa e, com isso, passou a sentir os efeitos de novas pressões pela secessão da Voivodina. O novo projecto de gasoduto permitirá à Turquia distribuir gás russo através da Europa, contornando o embargo internacional decretado pelos Estados Unidos. Percebe-se pois, como absoluta “transparência”, talvez não a desejada pelo senhor Stoltenberg, onde queria chegar o “mundo civilizado” com esta tentativa de golpe na Macedónia. Outros capítulos se seguirão pois se dizem que Deus não dorme, Washington também não.

 

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por Augusta Clara às 08:00

Quinta-feira, 13.03.14

"Tudo o que é humano me diz respeito" - a propósito de Impérios - António Pinho Vargas

 

António Pinho Vargas  "Tudo o que é humano me diz respeito" - a propósito de Impérios

 

 

   Poderá parecer, à primeira vista, que me vou meter onde não sou chamado ou que não tenho competência analítica específica para este assunto. Enfim, como fui convidado algumas vezes - normalmente por apoiantes deste governo - para ir mas é tocar e deixar de falar daquilo que supostamente não sei, sou obrigado a começar por simplesmente sublinhar que me licenciei em História pela Faculdade de Letras em 1983 e me doutorei em Sociologia da Cultura pela Universidade de Coimbra em 2010. Não o faço como argumento de autoridade. Sei bem que nestas matérias entre a ciência supostas e as meras opiniões há uma zona ambígua e vasta na qual se movimentam as ideologias, as crenças e as convicções que acabam por determinar fortemente as visões que temos das coisas do mundo. Mas como estou farto que me mandem tocar - coisa que oculta um enorme desprezo pelos músicos, vistos como uma espécie particular de atrasado mental que serve para abrilhantar cerimónias para gente séria - tento prevenir.

A actual situação na Ucrania tem servido para tornar claras algumas coisas. Durante uma boa parte das nossas vidas habitua-mo-nos a olhar o mundo a partir da divisão ideológica países comunistas-países democráticos ocidentais, ou da contradicção central capitalismo versus socialismo soviético, etc. Tudo isto nos parecia sólido sob o conceito de Guerra Fria. A primeira coisa a dizer é que a Guerra só foi fria nos EUA-Europa-URSS. Noutras partes do mundo América Latina, Africa e Ásia foi um período de guerras bem quentes e muitos milhões de mortos. A nossa visão continuava eurocêntrica e daí resultava para todos que o essencial era a Fria que explicava todas as outras guerras, as ditaduras, os golpes de estado etc. Era o momento em que Nixon ou Kissinger, já não estou certo, podia dizer sobre um ditador de uma país da América Latina: "I know he's a motherfucker. But he's OUR mothefucker". Tudo se desculpava aos "nossos" por "motherfuckers" que fossem. Então pergunta-se: o que é que se passa na Ucrânia e na Russia, hoje?
Julgo que nos esquecemos da história das nações. A Rússia era um Império antes o do Czar, depois foi o Soviético. Nessa fase a oposição ideológica dicotómica explicava tudo que acontecia no mundo, tudo derivava de confronto global.

Agora, depois do Fim da História anunciado com enormíssima antecedência como o triunfo da democracia ocidental como o regime para todo o sempre, verifica-se que, afinal, perante dois tipos de "motherfuckers", uns pró-ocidentais, outros pró-russos, todas as noções de legitimidade foram substituídas pelas ligações geopolíticas preferenciais. Primeiro o regime russo dominado por oligarcas com ligações mafiosas decorrentes do enriquecimento brutal de umas dúzias de "magnatas" que compraram por valores menores, estruturas e armamento do estado soviético e as venderam por milhões, de tal modo que até compram clubes de futebol em vários países, afinal, já sem nehuma oposição ideológica do tipo da guerra fria, mostra-se como aquilo que no fundo nunca deixou de ser: um império. Trata-se por isso de uma disputa imperial entre o ocidente (EUA-UE) e a Rússia que, no fundo, nunca deixou de ser imperial (mesmo na fase em que se revestiu de uma ideologia formalmente anti-imperialista). O papel da UE neste caso tem sido apenas o de reconhecer os seus próprios "motherfuckers" ucranianos - não considerando sequer o facto de haver lá pelo meio grupos neo-nazis - e tentar agir de acordo com os problemas que o gaz natural e outros recursos naturais que recebem da Rússia lhes colocam. Dão mostras de uma grande hipocrisia política ao recusar um chefe eleito - o mother pró-russo, igualmente de tipo mafioso - e reconhecer rapidamente um governo saído de um golpe de estado. Fosse ao contrário condenariam com veemência. A Rússia procura disfarçar os seus próprios apetites imperiais, que são tão claros agora como eram quando invadiu a Georgia, com considerações difusas sobre a legitimidade dos regimes. Mas se estes discursos e o seu subtexto são claros, os do ocidente parecem ter apenas como base princípios. O subtexto está oculto. Entre pelos olhos dentro que se trata de uma falsidade. Há interesses e geopolítica do mesmo modo.
A legitimidade é uma questão de poder muito mais do que uma mera decorrência da forma de lá chegar. Pinochet tornou-se "legítimo" depois de derrubar e assassinar um Presidente eleito, mas esse tinha um problema: era "deles". Ceausescu foi legítimo muitos anos até ser condenado e fuzilado sumariamente na débacle pós-Muro, tal como Kadafi e Sadam Hussein durante muito tempo aos quais tanto se comprou, primeiro, petróleo ou vendeu armas como depois se apoiou os seus derrubes e as suas mortes (com julgamento ou sem julgamento). Nada me poderá levar a considerar estes vários tipos de ditadores senão como assassinos, numa certa fase, detentores do poder de um estado.

Estes exemplos mostram de que forma os discursos ocidentais dos direitos humanos são usados de acordo com outra dimensão mais importante: a luta geopolítica pelo domínio do mundo. Nem sequer é nessessário falar da China e do seu regime, ou de Singapura e outros países do sudueste asiático que conseguem, de certo modo, adormecer os valores dos ocidentais face aos atropelos de todo o tipo, chegando até ao trabalho escravo, sem grandes protestos nem invasões.
Há "direitos humanos" mais humanos do que outros, de acordo com os interesses económicos em questão. Por isso foi possível, em países na dita União Europeia, afirmar e disseminar a ideia de que os povos do sul são preguiçosos, trabalham pouco, ganham muito, etc. Parece não ter nada a ver mas tem. Em primeiro lugar mostrou que o projecto europeu inicial pertencia ao passado, como igualmente que as nações - qual Jugoslávia que a Alemanha se encarregou de lançar na mortifera guerra entre nacões e etnias, aao reconhecer em primeiro lugar a Croácia - dizia, as nações, adormecidas, por vezes durante décadas ou séculos, reapareceram com violência face ao falhanço do projecto europeu, tal como está. Esta será a base da eventual vitória de Sra Le Pen em França nas europeias com um discurso nacionalista e xenófobo. Por outro lado este reaparecimento das nações, em tudo contrário à velha visão dicotómica do tempo da Guerra Fria, torna evidente a continuação da disputa pela primazia do mundo de acordo com uma certa concepção do capitalismo e a moral duvidosa acerca do que é permitido: tratar as populações - os humanos - de acordo com o ponto a que elas permitem que se chegue. Temos visto o suficiente. Tanto aqui como no sudueste asiático, que parece ser o modelo dos baixos salários que se pretende impor e que tanto jeito fariam ao aumento dos lucros e da "produtividade: horários de 12 ou 14 horas e trabalho infantil, escravo, ou muito perto disso. Sabe-se.
APV

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por Augusta Clara às 08:00

Sábado, 15.02.14

El idesmentible poder de las imágenes - Luís Sepúlveda

 

Luís Sepúlveda  El idesmentible poder de las imágenes

 

 

14 de Fevereiro de 2014

 

   Hay varias fotos circulando en las redes sociales y hasta en la prensa, que son más elocuentes que cualquier discurso y llaman a pensar, no a la gente sensata , de mínima cultura social y política, sino a esos miles de grandísimos pelotudos de todos los sexos posibles que claman por golpes de Estado en varios países latinoamericanos. 

No protestan contra los gobiernos de Argentina, Ecuador y Venezuela, sino que piden intervenciones armadas, guerra, sangre, golpes de Estado, porque la historia de los últimos treinta años ha pasado por las cabezotas de los más viejos sin dejar nada más que rencor, y por las cabecitas huecas de los más jóvenes, simplemente no ha pasado.

Chile tampoco escapa a este fenómeno, aunque los y las histéricas de Chile no piden otro golpe de Estado, es innecesario, el país vive bajo la férrea dictadura de un modelo económico inhumano y aparentemente inamovible.

Cuelgo tres de las fotos que menciono. Una muestra un vehículo de opositores venezolanos que aseguran sufrir hambre, más aún, dicen que Maduro (y aclaro que no me simpatiza porque el cargo le queda grande) los mata de hambre. Lo curioso es que ese vehículo es uno de los más caros del mercado, es un vehículo de narcotraficantes o de tratantes de blancas (los que venden carne humana, putas), o de ricos picantes y sin absolutamente ninguna manchita de cultura en sus currículos. 

Estos son los que reclaman porque en Venezuela no hay papel para limpiarse el culo, y toda su percepción o comprensión de la democracia se queda ahí, en limpiarse el culo ya sea con papel higiénico, con la constitución o los Derechos Humanos. Nunca antes se preocuparon y mucho menos reclamaron porque los pobres casi no tenían nada que evacuar por el culo. Y estos extraños demócratas de gorrita de béisbol , vacaciones en Miami y música de Shakira en sus autos tunados, son los mismos hijos de puta que claman por golpes de Estado en Venezuela, Ecuador y Argentina.

Otra de las fotos muestra a dos porteñas muy porteñas, minas chotas que no pueden evitar ninguna salida a la calle  sin lucir sus abrigos de pieles, generalmente muy bien ganadas con el sudor de sus coños. Las minas rubias y forradas de pieles que se ven en la foto, golpean cacerolas porque tienen hambre, mucha hambre,aseguran, y junto a la más poderosa de las internacionales, la de los pelotudos que hablan porque tienen boca, aseguran que Argentina es un caos, que la crisis las mata, que el país se deshace. ¿Quién, con dos dedos de frente, puede dar alguna credibilidad a estas hijas de puta?

Y otra foto muestra a unas esforzadas "agricultoras" chilenas que piden paz, ¡Oh cómo claman por la paz! en la región de La Araucania, preocupadas porque algunos indios ( ¿cómo se llaman oye María Pía Echazarruguinagui? Mapuches niña, es que a ti se te olvida todo oye María Fernanda von Kakenbaum Errázuriz) les  ha dado por reclamar como suyas las  tierras en las que han vivido desde que este puto planeta tomó su actual forma. 

Esas hijas de puta piden que se apliquen con mayor rigor y fuerza leyes anti terroristas, una "solución final al problema mapuche", es decir su exterminio definitivo. Tetas siliconadas y odio, botox y desprecio es lo único que enarbolan como razones esas redomadas hijas de puta que sin embargo, gracias a  la internacional de pelotudos que rechazan todo tipo de violencia siempre que venga de los pobres, han logrado que su foto de guerreras del apartheid chileno de la vuelta al mundo.

Los y las protagonistas de las tres fotos tienen algo que las une: son hijos e hijas de puta, así, sin paliativos ni medias tintas. Hijos e Hijas de Puta.

 

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por Augusta Clara às 08:00

Segunda-feira, 19.08.13

A progressão do caos - José Goulão

 

José Goulão  A progressão do caos

 

 

   A diplomacia económica e militarista que domina o mundo fabricando instabilidade e guerras civis para exportar a sua “democracia padrão” atingiu um limite crítico no Egipto. Já fora advertida na Argélia, no início dos anos noventa, já fora obrigada a um descarado golpe de rins na Palestina em 2007, mas ao destapar a caixa de Pandora egípcia começa a sentir – que não é o mesmo ...que perceber – os efeitos da irresponsabilidade criminosa com que gere o poder da sua força.

Depois do que está a passar-se no Egipto nada voltará a ser como dantes nas relações entre os neocruzados ocidentais e o Médio Oriente. Os fios com que Washington e Israel, na companhia dos seus obedientes aliados da NATO e da União Europeia, têm manipulado as marionetas regionais não apenas se embaraçaram no Cairo como deram um nó cego muito difícil de desatar. É difícil acreditar que as administrações de Washington, Telavive e Bruxelas não soubessem que através da “primavera árabe” iria chegar o tempo da afirmação do islamismo político. A prova de que sabiam é que rapidamente começaram a infiltrar e a manipular as transformações e a entender-se com os grupos religiosos dominantes e influentes para tentarem modelar a nova situação consoante os seus interesses. Para isso não cuidaram sequer de distinguir entre o chamado “islamismo moderado” e o radicalismo islâmico, com o qual os poderes ocidentais têm cúmplices relações desde o Afeganistão dos anos oitenta e a ex-Jugoslávia dos anos noventa.

Passemos em revista o cenário deixado pela relação íntima entre os regimes ocidentais e os desenvolvimentos da “primavera árabe”: governos islamitas confessionais na Tunísia, onde o terrorismo contra a oposição se tornou moeda corrente, e no Egipto; caos na Líbia depois da intervenção militar da NATO, onde o governo instaurado em Tripoli não tem espaço para governar entre milícias religiosas e sectárias e o país se cindiu entre a Cirenaica e a Tripolitânia; guerra civil na Síria, onde a NATO apoia uma oposição dominada pelo radicalismo islâmico sunita, na qual se destacam grupos da rede da Al Qaida; transposição gradual da guerra civil síria para o Líbano. No Iraque, onde a “primavera” foi levada pela invasão norte-americana, prevalecem as forças centrífugas sectárias cultivadas desde o início pelos governadores instalados por Washington.

A situação no Egipto veio demonstrar de forma sangrenta que esta política se esgotou e a emenda é pior do que o soneto. Secretamente, a diplomacia ocidental decretou que o esmagador domínio eleitoral da Irmandade Muçulmana e dos grupos radicais não valeu e inventou um “governo transitório” de personalidades sob custódia militar. As forças armadas egípcias são um braço militar norte-americano no Médio Oriente.

Barack Obama interrompeu por momentos uma animada partida de golfe para condenar vagamente os militares egípcios pelas matanças dos últimos dias proibindo-os de participar em próximos exercícios militares mas não pondo em causa o auxílio logístico, financeiro e operacional. Obama fez mais uma vez de Pilatos decretando que só os egípcios podem resolver o problema que criaram. O presidente julga que nos esquecemos das declarações feitas há pouco tempo pelo seu secretário de Estado, John Kerry, segundo as quais o golpe militar no Egipto foi um acto para “correcção do caminho da democracia”.

Os resultados da “correcção” estão à vista. Entretanto, existem informações fidedignas de que Estados Unidos e Israel cultivaram boas relações com a Irmandade Muçulmana no Egipto durante grande parte do tempo em que esteve no poder, tal como acontece com as suas congéneres da Turquia e da Síria, onde são das mais activas aliadas dos desígnios da NATO. Falta saber o que correu mal com Morsi e o fez cair em desgraça.

A diplomacia e as instâncias internacionais, entre elas a ONU – cada vez mais uma correia de transmissão da NATO através do actual secretário geral – apelam agora aos militares egípcios e ao governo de transição para que restaurem a democracia através de eleições.

Ora não é segredo para ninguém que eventuais eleições irão proporcionar nova vitória esmagadora da Irmandade Muçulmana. E depois? Kerry vai outra vez “corrigir o caminho” da democracia, sucedendo-se novas matanças? No Egipto falhou a primeira experiência democrática e falhou agora a respectiva “correcção”. Nada do que poderá seguir-se funcionará, em tese, repetindo-se o que ficou para trás.

Para já, o mais populoso país árabe está à beira da guerra civil e um nó cego ata os fios políticos que têm sido manipulados até aqui. Abre-se um enorme buraco negro no Médio Oriente: três países vizinhos de Israel estão em guerra civil, o mesmo acontecendo, na prática, com o Iraque; a tragi-comédia das negociações entre Netanyahu e Abbas aprofunda a divisão palestiniana. As monarquias ditatoriais do Golfo, com a cumplicidade de Washington, da NATO e da Turquia, incentivam guerras entre comunidades sunitas e xiitas, com perseguições a outras minorias religiosas.

E são os irresponsáveis criminosos que o criaram quem continua a gerir a progressão deste caos. 

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por Augusta Clara às 08:00



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