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Jardim das Delícias


Sexta-feira, 29.07.16

Ninguém sabia o que era o FMI. São todos inocentes - Augusta Clara de Matos

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   Esta gente - garotada do governo Passos/Portas mais os comentadores ao seu serviço - que levaram quatro anos a tentar convencer-nos de que destruir o que em Portugal se tinha feito era inevitável, só agora é que se dão conta de que onde o FMI se mete acontece sempre um grande desastre?

Debitam tanta opinião baseada em que saber? Está tudo escrito. É só ler nos livros,fazer pesquisas, estudar em vez de levantarem a crista e servirem os seus senhores que, ao contrário deles, e apesar de lhes pagarem chorudas recompensas para moldarem a opinião pública, eles, esses senhores vivem de rabo para o ar, arrojando-se aos pés do grande capital a quem obedecem cegamente por umas moedas que lhes são atiradas aos pés.

MISERÁVEIS!

O FMI nunca foi uma estrutura de gente de bem. Antes pelo contrário. Quem os deixa entrar sabe sempre ao que vão. Já há demasiados exemplos no mundo para que isso seja ignorado.

Agora vamos ter a mesma avalanche de comentadores a dizerem o contrário. Até o governador do Banco de Portugal está a aproveitar para "se limpar", perdoe-se-me a expressão.

E o que se faz a esta gente que tanto nos massacrou?

 

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por Augusta Clara às 08:00

Terça-feira, 29.09.15

A partir de agora - Augusta Clara

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   A partir de agora, o que o PS tem de fazer, mais do que contar votos, é elaborar um Programa de Governo como deve de ser, isto é, dum governo independente de jugos estrangeiros, que tudo faça para minorar e tendencialmente anular os grandes prejuízos da autoria do actual governo na sua acção destruidora dos últimos quatro anos.

Não disse hoje Passos Coelho que já decidiu viabilizar o Programa do Governo e o Orçamento do PS se ele ganhar sem maioria absoluta? Embora a sua palavra pouco valha, aliada ao conhecido feitio de lacrau, pois que apoie, mas na Assembleia da República com o seu grupo parlamentar que espero seja o menor possível. No Governo não o queremos.

Não estou a fazer propaganda eleitoral porque não voto no PS. Porém, não tenho praticamente dúvidas sobre a sua vitória no próximo dia 4. Quer porque não acredito na inimputabilidade mental do povo português que tão sacrificado está, quer porque me parece corresponder ao modelo comportamental do nosso eleitorado por características e razões que não sou a pessoa indicada para expor.

Mas o que me preocupa grandemente, já aqui o disse, são as ligações da esquerda. A esquerda portuguesa, alguma já com tantos pergaminhos, parece viver em casulos e defender-se mais dos seus próximos do que dos inimigos.

Já não sei como se pode falar e voltar a falar nestes defeitos e no desejo de os ver desfeitos sem caír no que já foi dito e redito que é, afinal, o que todos anseiam: ver quem luta por um conjunto de prerrogativas, relativas ao bem-estar dum povo e ao desenvolvimento livre do país, a remar para o mesmo lado, a definir em conjunto as linhas-mestras do que queremos para esta terra.

Tão fácil seria, a nós que somos uma só nação - nem esses problemas nos afectam -, donos dum belíssimo espaço territorial onde se poderia viver sem necessidade da imposição de determinados bens materiais supérfluos que, em vez de nos dignificarem e tornarem genuinamente felizes como seres humanos, nos escravizam. Tão fácil seria se não vivêssemos de políticas alienantes a quem a felicidade me parece dever soar como um conceito menor, quase ridículo.

Um dos jovens do grupo chegado ontem, ao abrigo da plataforma promovida por Jorge Sampaio para integração de estudantes sírios nas universidades portuguesas, dizia que Portugal lhe parecia um paraíso. E é, e é, meu amigo, tem é muitos demónios à solta.

 

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por Augusta Clara às 08:00

Sábado, 05.09.15

Condição humana - Viriato Soromenho Marques

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Viriato Soromenho Marques  Condição humana

 

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Diário de Notícias, 4 de Setembro de 2015

   Portugal conhece bem o problema dos refugiados. O fim do império foi acompanhado pela chegada de centenas de milhares de "retornados", que na verdade eram refugiados nacionais fugindo para salvar a vida, como é o caso de todos os refugiados. Em 1974 e 1975, o Império caiu, mas não o Estado. Mesmo os portugueses nascidos em África regressaram a uma casa que era sua, com leis e políticas de acolhimento. Mas Portugal conheceu também os refugiados que perderam tudo. A filósofa judia alemã Hannah Arendt e o seu marido residiram na Rua da Sociedade Farmacêutica, n.º 6, em Lisboa, entre janeiro e maio de 1941, à espera do navio para Nova Iorque. Ela pertencia à categoria de refugiados sem Estado e sem pátria. Vítimas do Leviatã que os deveria proteger. Em 1943, já em solo americano, ela escreveu: "Perdemos o nosso lar, ou seja a familiaridade da nossa vida quotidiana. Perdemos a nossa profissão, ou seja a segurança de termos alguma utilidade neste mundo. Perdemos a nossa língua materna, ou seja as nossas reações naturais, a simplicidade dos gestos e a expressão espontânea dos nossos sentimentos. Deixámos os nossos pais nos ghettos da Polónia e os nossos melhores amigos foram assassinados em campos de concentração, o que significa que as nossas vidas privadas foram destruídas." As palavras de Arendt poderiam ser repetidas por muitos daqueles que fogem hoje das garras do Estado Islâmico, e das ruínas de sociedades destruídas. Politicamente, a Europa ainda não percebeu o problema. Mas os Europeus, como indivíduos, parece que sim. Quando as famílias islandesas se propõem receber 50 000 refugiados (o que corresponde a um sexto da sua população!), isso significa que a ética essencial não foi esquecida: quando o "deus mortal" cai, as pessoas só se têm uma às outras.

 

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por Augusta Clara às 08:00

Quinta-feira, 03.09.15

“Não vamos à procura de uma vida melhor. Vamos à procura de vida. Atrás de nós só há morte”

 

 

Expresso Online, 2 de Setembro de 2015

 

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 Esperança. Ahmed arriscou a vida para sobreviver. Nos momentos difíceis, agarrou-se à ideia que tinha da Europa

 

Na cabeça dele havia duas palavras que significavam o mesmo: Europa e segurança. No país dele, a Somália, havia uma palavra que significava “vai-te embora”: guerra. Atravessou África, chegou à Líbia, meteu-se num barco para atravessar o Mediterrâneo. Se ele teve medo de atravessar o mar que se tornou cemitério? Ele tinha medo era de ficar. Ele, Ahmed Abdalla, conta-nos na primeira pessoa o impossível

 

Texto de Carolina Reis/Fotos de António Pereira Ferreira

 

   No meio da confusão, choro de crianças e gritos, não consegui perceber imediatamente se a minha família tinha sobrevivido à bomba que nos destruíra a casa. Pela maneira como a minha mulher segurava os nossos três filhos não dava para distinguir se o mais novo, o único rapaz, na altura com seis meses, tinha sobrevivido. A princípio pareceu-me que não, mas afinal tinha. Foi sorte, tinham-se atrasado no mercado.

Não sei quem enviou a bomba, nem isso é importante. Isso é normal desde que a guerra civil começou no meu país. Não fomos a primeira família nem a última fugir. Aquele cenário só nos deu uma hipótese: ir embora o mais rápido possível.

 

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Entreguei a chave da loja que o meu pai me deixou, o nosso único sustento, na mesquita e pedi-lhes que vendessem tudo. Partimos a pé para a Etiópia. A cada passo estou mais longe de Mogadíscio e mais perto da Etiópia. Não estou mais longe de casa, porque a casa já não existe. Queremos paz, só quem não a tem, quem não vê os amigos e família a caírem com a violência da guerra, pode querer mais. A Etiópia é o primeiro pouso para chegarmos à Europa, terra segura. É por essa ideia que arriscamos a vida. Acho que, afinal, até não pedimos muito.

Enquanto caminho, despeço-me do meu país, sem sentir saudades. Na minha cabeça duas palavras: Europa e segurança. Está a ser duro, mas também esperançoso. A única solução era sair dali, não importava como. É por isso que quando me perguntam se tenho medo de atravessar o Mediterrâneo, eu não percebo a pergunta. Medo? Eu tenho medo é de ficar. Não vamos à procura de uma vida melhor. Vamos à procura de vida. Atrás de nós só há morte.

 

Sempre foi isso que pedimos

Estamos há três meses na Etiópia, talvez o tempo mais seguro da viagem. Alugámos colchões numa casa pequenina, o equivalente a um lar. Somos ilegais. Ilegais. Não me digam que não há cidadãos ilegais porque há, é assim que fomos tratados nesta viagem. Mas nós não somos ilegais, somos gente com direitos. Com direito a viver. Sempre foi isso que pedimos.

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Sem plano definido, dei por mim no meio de outra terra em guerra, com mulher e três crianças pela mão. Mesmo que queira procurar alternativas à Europa não há hipótese. Por onde quer que vá, só tenho guerra e miséria à volta. Conseguimos seguir viagem com o dinheiro que a mesquita me mandou, daquilo que conseguiram vender.

 

Um mês para arranjar um traficante

Agora estou em cima de um burro, prevê-se que a viagem seja longa. Dois meses, sem morada fixa, a parar apenas para dormir e para comer, quando era possível, até chegar ao Sudão do Sul. Novo país, nova guerra, novos perigos. E eu continuo sem nada, sem certezas, a arriscar a minha vida e a da minha família em nome da segurança.

Foi preciso um mês para arranjar um traficante que nos tirasse do país, em direção à Líbia. Não foi difícil. Não é difícil sair, o mais difícil é ficar. Por 250 dólares a cabeça, encontro quem nos leve. 25 dias, pelo deserto do Sudão, numa Land Cruiser de caixa aberta. Conhecem o carro? Estão a ver o tamanho? Somos 32 naquele espaço. Sim, é possível. Trinta e dois à mercê de um traficante.

Aquela viagem soa a prenúncio do que está para vir. Sem dar por isso, é verão. À medida que o calor aperta, a misericórdia do traficante diminui. Não há água e ele só a dá quando entende. E entende poucas vezes. Os 250 dólares só dão direito à Land Cruiser. A nada mais. Quando quer paramos pelo caminho para comer, para dormir. Se houver sombra melhor, senão também não importa.

 

O novo traficante

Tenho Tripoli, a capital da Líbia, na mente. Agarro os meus filhos e penso na cidade. Acredito que é o começo para uma vida nova. No meio do desespero vence a esperança. Estou muito perto de morrer. Tudo o que passei até aqui parece nada. Cada dia em que sobrevivo é um dia de vitória.

Familiares que já tinham passado para o lado de lá, que já estavam na Europa, enviam o que faltava para fazer os 800 dólares que o novo traficante nos pede para a travessia do mar. Quanto mais perto estamos da Europa, mais aumenta o valor da vida. Uns estrangeiros, a mando do coyote, explicam-nos como funciona. Alguém nos vem buscar, para nos levar a um campo perto da costa. De lá esperamos pela oportunidade. Pode demorar meses. Somos ilegais, escondidos, para ninguém perceber que aqui estamos. Mesmo que toda a gente saiba o que se passa, convém disfarçar.

Da ansiedade à expectativa vai uma pequena distância. Sei que o trajeto será feito de noite. Por isso, assim que o sol se põe cresce na minha mente a probabilidade de sair dali. Ao fim de 15 dias, é hora. Fico nervoso. Lembro-me das histórias dos que não sobreviveram, é como se estivessem à minha frente.

Está quase. Perdi a casa, o emprego, só quero salvar os meus filhos. É noite escura. Subo para o barco, dou o dinheiro ao traficante, é a primeira vez que o vejo. Ele conta as cabeças. Cinco pessoas: eu, a minha mulher, as minhas duas filhas e o meu filho bebé. Não há desconto nem piedade.

São 25 pessoas num barco de oito metros. Já não posso voltar atrás. Tenho medo. Mas, novamente, vence a esperança. Em cada momento, em cada hora, penso que vou morrer. O barco é pequenino, abana, não há espaço para nos mexermos. A única água que entrava é a salgada, a do mar que nunca parou de se impor naquelas 48 horas. Vejo a morte de frente.

Estou quase a chegar. Já avisto a segurança e a igualdade, mas o barco para. O traficante tenta pô-lo a trabalhar, parece que ficou sem combustível. Eu e a minha mulher, agarrados aos nossos filhos. E o barco a oscilar.

De repente, surge uma luz de vigilância, vinda de um navio da marinha. Chegámos à Europa ou voltaremos para trás? Um barco da marinha italiana salva-nos. Não caímos ao mar, mas penso, principalmente agora: se tivesse levado mais tempo teríamos sobrevivido? Tenho de repetir que estivemos muito perto de morrer.

Quando os marinheiros nos tiram da água, envolvem as nossas mulheres e filhos com mantas e levam-nos para terra segura. Paro um segundo, olho para cima e digo ao meu Deus: obrigado!

 

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Português

Hoje, sou cidadão português. Deixei de ser refugiado em novembro, quando recebi a cidadania. Estou muito longe de Mogadíscio. Mas a Europa não é, afinal, a terra das oportunidades. Gosto de Portugal, mas não tenho oportunidades. Todos os meses escolho entre comer ou pagar a renda. As minhas filhas usam o véu islâmico, vão à escola e falam português melhor do que eu. Lembram-se vagamente da viagem. O meu rapaz, o único que fiz, não tem memória. Sabe que em Malta, no campo de refugiados onde morámos antes de vir para Portugal, havia dinheiro para chocolates. Cá não há.

Da janela da minha casa, na Bobabela, onde hoje vivo, vejo, ao longe, o parque onde o meu filho costuma brincar. Estamos em paz.

Ahmed Abdalla, de 47 anos, está em Portugal desde 2009. Chegou através de um protocolo assinado entre as Nações Unidas e os Estados europeus para reinstalar refugiados de longa duração. Foi para o Centro de Acolhimento de Refugiados, na Bobadela, diretamente do campo de Hal Far, em Malta. Está desempregado e, à semelhança de outros refugiados, sofreu um corte de 70% nos subsídios. Desde o ano passado que é o porta-voz da comunidade de refugiados, que envia cartas, em cinco línguas, ao Governo, ao ACNUR, a António Guterres, ao Presidente da República, ao Papa, ao Provedor de Justiça, a pedir que os deixem ir procurar trabalho noutro país. Ahmed já o podia fazer, por ser agora português, mas falta-lhe o dinheiro.

Texto publicado originalmente no site do Expresso a 23 de abril de 2015

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por Augusta Clara às 08:00

Domingo, 22.02.15

Arrependimento - Viriato Soromenho Marques

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Viriato Soromenho Marques  Arrependimento

 

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Diário de Notícias, 20 de Fevereiro de 2015

 

   Quando Pôncio Pilatos quis lavar as suas mãos, Cristo ainda não tinha sido crucificado, mas os dados já estavam lançados. A confissão de Juncker sobre os "pecados" da troika, cometidos contra a "dignidade dos povos", na Grécia, em Portugal, e mesmo na Irlanda, talvez seja a mais inesperada confirmação de que Schäuble e os seus cúmplices no Eurogrupo já decidiram obrigar Atenas a escolher entre o ostracismo fora da zona euro ou a vergonha da rendição incondicional perante as grilhetas da austeridade. Se a Grécia for privada da "dignidade" de ser respeitada, apesar e por causa da sua escolha eleitoral recente, o projeto da construção europeia como foi gizado por Schuman, Monnet, mas também pensado por Habermas, estará definitivamente morto. A "Europa alemã", usando a expressão do saudoso Ulrich Beck, será breve, e os cenários que se lhe seguirão variam apenas na tonalidade sombria. Juncker, contudo, ainda envergará, para o juízo futuro da história, a consciência amargurada do "bom ladrão". Pelo contrário, Schäuble e todos os seus discípulos do Eurogrupo, ao condenarem os gregos a novos e imensos sofrimentos, e ao desistirem das dezenas de milhares de milhões de euros dos contribuintes europeus, que Atenas fora da zona euro não poderá pagar, acabam por deixar cair a máscara. Razão tinha o malogrado ex-presidente do Bundesbank, Karl-Otto Pöhl, quando em maio de 2010 acusou o resgate da Grécia de não ter em consideração nem o interesse do povo grego nem o da Europa, destinando-se apenas "a salvar bancos [alemães e franceses] e os gregos mais ricos" (Der Spiegel, 18-05-2010). O que parece iminente é mais do que pecado. Uma ofensa contra a humanidade, cuja reparação exigirá algo mais do que o tribunal da história.

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por Augusta Clara às 08:00

Sábado, 21.02.15

"... mas há algo que se chama boas maneiras..." - Yanis Varoufakis

 

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por Augusta Clara às 16:34

Segunda-feira, 16.02.15

Ontem em Atenas - Espanha, Portugal, Grécia

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por Augusta Clara às 17:20

Quarta-feira, 29.05.13

Paul Krugman diz que Portugal vive um pesadelo

 

 

 

Paul Krugman diz que Portugal vive um pesadelo

 

 

 

Notícia da LUSA publicada no Expresso Economia em 27 de Maio de 2013

 

O Nobel da Economia considera que o nosso país está a viver um  "pesadelo" económico-financeiro e que a resposta a estes problemas é conhecida  há muitas décadas.

 

   O prémio Nobel da Economia, Paul Krugman, sublinhou hoje que  Portugal vive um "pesadelo" económico-financeiro e questionou como é suposto  ultrapassar problemas estruturais, igualmente existentes em outros  países, "condenando ao desemprego" milhares de trabalhadores.

"Não me digam que Portugal tem tido más políticas no passado e  que tem profundos problemas estruturais. Claro que tem, e todos têm, mas sendo  que em Portugal a situação é mais grave que em outros países, como é que faz  sentido que se consiga lidar com estes problemas condenando ao desemprego um  grande número de trabalhadores disponíveis?", frisa Paul Krugman em artigo hoje  publicado no seu blogue, "Consciência de Um Liberal".

O prémio Nobel da Economia comentava no seu blogue um artigo  hoje publicado no jornal "Financial Times" sobre as condições "profundamente  deprimentes" em Portugal, centrando-se na situação de empresas familiares, que  foram até agora o núcleo da economia e da sociedade do país.

 

Política monetária e orçamental expansionista 

Para Paul Krugman, a resposta a estes problemas "conhecidos há  muitas décadas", reside numa política monetária e orçamental expansionista. "Mas Portugal não pode fazer as coisas por conta própria, porque já não tem  moeda própria. 'OK' então: ou o euro deve acabar ou algo deve ser feito para  fazê-lo funcionar, porque aquilo a que estamos a assistir (e os portugueses a  experimentar) é  inaceitável", sublinhou.

O economista defende uma expansão "mais forte na zona do euro  como um todo", "uma inflação mais elevada no núcleo europeu", tendo em mente que  o Banco Central Europeu (BCE), assim como a Reserva Federal Americana, são  contra taxas de juro próximas de  zero.

"Pode e deve tentar-se aplicar políticas não convencionais, mas  é preciso tanta ajuda quanto possível ao nível da política orçamental e não uma  situação em que a austeridade na periferia é reforçada pela austeridade no  núcleo", frisou. Mas pelo contrário, reforçou, aquilo a que se tem assistido  nos últimos três anos é a uma política europeia "focada quase que inteiramente  nos supostos perigos da dívida pública". "O importante agora é mudar as  políticas que estão a criar esse pesadelo", concluiu.

 

Krugman estudou o caso português no pós 25 de Abril

Num outro 'post' no seu blogue, Paul Krugman lembra como  em 1975, logo após a queda da ditadura em Portugal, o então governador do Banco  de Portugal, José da Silva Lopes, que veio a ser ministro das Finanças, pediu  aconselhamento especializado ao  Massachusetts Institute of Technology  (MIT). Depois de uma primeira visita de professores senior, da conhecida  faculdade norte-americana, conta ao Nobel da Economia, no verão de 1976  Portugal contou com a ajuda de cinco estudantes do MIT, entre eles Miguel  Beleza, mais tarde Governador do Banco de  Portugal e ministro das  Finanças, assim como o próprio Krugman.

"A julgar pela reputação académica de que [estes responsáveis]  viriam a gozar mais tarde, eles [portugueses] tiveram um grande grupo. Um ano  depois chegariam David Germany, Jeremy Bulow, e, imaginem quem, Ken Rogoff",  (conhecido defensor da austeridade), refere o economista com humor.

 

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por Augusta Clara às 08:00

Quinta-feira, 07.03.13

O futuro de Portugal - Viriato Soromenho Marques

 

Viriato Soromenho Marques  O futuro de Portugal

 

 

   Publicado no Diário de Notícias em 4 de Março de 2013

   Há um economista que não deixa ninguém indiferente. Chama-se Hans-Werner Sinn. Dirige o maior instituto de investigação económica germânico, sediado em Munique. Tem sido o campeão das políticas de austeridade. É um firme opositor dos planos de resgate e acusa o Governo de Merkel por não ser suficientemente duro para com a periferia. Apesar da barba lhe dar um ar de clérigo islâmico, a verdade é que a inflexibilidade de raciocínio e a teimosa indiferença face aos sinais da realidade remetem-no para o universo da Schwärmerei, uma forma germânica de fanatismo, sempre com consequências devastadoras para a Europa. Este homem liderou um estudo sobre o estado da economia europeia acessível na Internet ("The EEAG Report on the European Economy 2013"). Enquanto percorríamos as ruas em protesto nas cidades portuguesas, Sinn explicava a um jornal espanhol as teses centrais do estudo: a austeridade na periferia europeia vai durar, pelo menos, mais dez anos. Mais concretamente: "Espanha, Portugal e Grécia necessitam de uma desvalorização interna de 30%; a França, de 20%; a Itália, uma descida de preços de 10%." Mas Sinn vai mais longe, considerando que a Espanha talvez possa permanecer na Zona Euro, mas tanto a Grécia como Portugal estão condenados a sair do euro: "As atuais exigências europeias sacrificam uma geração ao desemprego maciço. Portugal está numa situação semelhante." Para nós, as palavras de Sinn têm a vantagem de colocar o debate no seu fulcro. O que está em causa não é o prolongar por mais um ano a meta do défice, mas saber se Portugal aceita continuar por esta via que faz da pobreza um objetivo de política pública, e onde, no final, acabará por perder a própria alma. Aquilo que confere a uma nação o direito de existir.

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por Augusta Clara às 08:00



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