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Delícias são tudo o que nos faz felizes: um livro, a magia dum poema ou duma música, as cores duma paleta ... No jardim o sol não raia sempre mas pulsa a vida, premente.
Luís Sepúlveda En pocas horas más.....
En pocas horas ya no estaré en España y Asturias será el cálido deseo de regreso, pero esta vez no empiezo el viaje al Sur con la alegría de siempre, pues el atroz pasado se dejas sentir como una lápida.
Han cercenado la elemental libertad de manifestarnos, de decir NO a lo que nos hiere y ofende, de decir NO a la sumisión frente al abuso. Con la aprobación de la Ley Mordaza estamos a merced de los que se han apropiado del Estado, de esos que, de tan p...obres de argumentos, no tienen más que el garrote y la penalización para imponer su impunidad de ladrones.
Y como soy terco en mi optimismo, me voy con la esperanza de que todos los dispuestos a decir NO a la barbarie y al neo fascismo, empiecen a mirar más allá de sus ombligos.
Somos más los que imaginamos una existencia digna y justa, aunque estemos dispersos, somos más, aunque a menudo nos equivoquemos y apuntemos al compañero en lugar de al enemigo, somos más. Somos más y la razón está de nuestra parte.
Todas las opciones de izquierda son legítimas siempre cuando digan NO a lo que nos hunde, a lo que nos condena a la triste condición de parias sin futuro, siempre y cuando digan NO sin medias tintas, sin matices, sin cartas ocultas bajo la manga.
La urgencia nos obliga a encontrarnos en un NO rotundo, un NO de izquierdas, un NO cargado de imaginación para levantar una sociedad posible. Un NO honesto, con toda la honestidad de la izquierda. En un NO unitario y libre de sectarismos. En un NO autocrítico, porque por acción u omisión también somos responsables de la catástrofe social que nos aplasta.
Los dueños del poder, de los bancos, los corruptos y sus cómplices quieren vernos caer en la desesperación o la apatía social. Pero somos más que ellos, y aunque estemos dispersos no olvidemos que los débiles arroyos forman ríos incontenibles cuando se unen. Somos más que ellos y la razón nos asiste. No lo olvidemos.
En algunas horas estaré en Chile, en el Sur del mundo, pero regresaré a tiempo a mi humilde barricada asturiana para apoyar con todas mis fuerzas a las opciones de izquierda en las próximas elecciones municipales y autonómicas. Somos más que ellos, y mejores. En la unidad de la izquierda, pero de la izquierda que dice NO sin ambigüedades ni vicios, está la fuerza para demostrar que otra sociedad es posible, y entre todos podemos hacerlo.
Nota de edição: Leia aqui o que sanciona a chamada Ley Mordaza.
Rafael Marques de Morais A União Europeia e o Caso Nito Alves
Publicado em Maka, 4 de Desembro de 2013
Recentemente, a 19 de Novembro, o presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, encarregou a Alta Representante da União Europeia e vice-presidente da Comissão, Baronesa Catherine Ashton, a responder, em seu nome, sobre questões relacionadas com a detenção e as acusações contra o activista angolano Manuel Chivonde Baptista Nito Alves.
Durão Barroso é bastante uma figura bastante conhecida e controversa em Angola, pelo seu papel na promoção do primeiro acordo de paz no país, em 1991, ratificado pelo presidente José Eduardo dos Santos e o malogrado líder rebelde Jonas Savimbi. Nessa altura Durão Barroso era o Secretário de Estado para os Negócios Estrangeiros e Cooperação. Desde então tem cultivado uma estreita relação de amizade com o presidente Dos Santos e tem-no favorecido na arena internacional.
O presidente Dos Santos tem alistado, também, outros políticos portugueses de relevo para o ajudarem a encobrir os actos de corrupção e de violação dos direitos humanos do seu governo. Em troca, o presidente angolano apoia a economia portuguesa.
A família Dos Santos, os seus acólitos e a Sonangol são os maiores investidores externos, por país, em empresas listadas na Bolsa de Valores em Portugal, nas quais têm investido mais de € 2,86 biliões nos últimos anos. Em salários e honorários, os portugueses residentes em Angola enviaram mais de € 270,6 milhões de Angola para Portugal.
Estas considerações podem ser a única explicação para o facto da carta de Durão Barroso nunca ter mencionado a causa real da detenção de Nito Alves: o presidente José Eduardo dos Santos.
A Carta
Em resposta às questões levantadas pela eurodeputada portuguesa, Ana Gomes, a Alta Representante referiu que os seus serviços estavam a seguir o caso de perto. “Fui informada que a acusação inicial contra ele [Nito Alves], de injúria ao abrigo da Lei dos Crimes contra a Segurança de Estado, foi alterada para uma acusação menor de ‘incitação à desordem pública’”, disse.
Na correspondência, a Baronesa Ashton explicou ainda que a delegação da União Europeia, em Luanda, tem estado em contacto com a família do activista, com o seu advogado e com a Associação Mãos Livres, que patrocina a sua defesa.
A monitoria do caso pela delegação da União Europeia foi uma iniciativa louvável. Por conseguinte, Durão Barroso devia estar melhor informado.
Contudo, a correspondência do presidente da Comissão Europeia, endereçada através da Baronesa Ashton, distorceu os factos, fez comentários políticos desnecessários e, de forma grave, omitiu a causa da detenção, da prisão e das acusações contra Nito Alves, um menor.
Durão Barroso declarou, na sua correspondência, que a situação do Nito Alves estava, de algum modo, relacionada com um assunto que nunca foi levantado pelas autoridades angolanas.
“Como provavelmente deve saber, as t-shirts produzidas por Nito Alvez (sic) tinham impressas, nas costas, a seguinte expressão: “Povo angolano, quando a Guerra é necessária e urgente”. Este slogan é, com certeza, bastante sensível num país que teve uma longa história de guerra civil”, argumentou Lady Ashton.
Tal comentário político é flagrantemente distorcido, como os factos demonstram.
Nito Alves foi raptado a 12 de Setembro, por 15 agentes armados e não identificados, em trajes civis. Os agentes não tinham um mandado de captura e levaram o prisioneiro para as instalações de uma unidade policial desactivada, onde o sujeitaram a ameaças de morte por causa do slogan impresso na parte frontal das 20 camisolas: “Zé-Dú/Fora/Nojento Ditador”.
O rapto de Nito Alves apenas se tornou publico porque uma testemunha alertou imediatamente a Rádio Despertar. A referida rádio divulgou de imediato o sucedido. A exposição pública forçou os agentes envolvidos na operação a transferir Nito Alves para a esquadra policial do Capalanca, em Viana.
No ano passado, um operação similar, levada a cabo por agentes policiais e de segurança, resultou na execução dos activistas Alves Kamulingue e Isaías Cassule.
Sobre a expressão “Povo angolano, quando a guerra é necessária e urgente”, impressa nas costas das camisolas, a explicação é simples. Esta expressão é o título de um artigo publicado a 8 de Agosto de 2009, no Folha 8, pelo jornalista e docente universitário Domingos da Cruz. Um ano mais tarde, a 20 de Agosto de 2010, o referido autor publicou um livro, no Brasil, com o mesmo título.
O livro é uma colecção de ensaios sobre uma variedade de assuntos, incluindo pornografia, sexualidade, desobediência civil, catolicismo, paz, pensadores africanos, a morte na cultura Bantu, Barack Obama, e a fome no mundo. No baralho de temas, Domingos da Cruz apelou à juventude para o uso do direito constitucional de manifestação para a defesa dos direitos humanos e da justiça.
A Procuradoria-Geral da República acusou Domingos da Cruz de ter cometido o “crime de incitação à desobediência colectiva”. Contudo, a Lei dos Crimes contra a Segurança de Estado (Lei n° 7/78), que tipificava o referido crime, já havia sido revogada. Por essa razão, a 6 de Setembro de 2013, O Tribunal Provincial de Luanda absolveu Domingos da Cruz, por inexistência do crime de que era acusado, na legislação nacional.
Entre Junho e Setembro, quando Domingos da Cruz foi notificado, pela primeira vez, para comparecer em tribunal, que jovens activistas adoptaram o título do seu livro como um slogan, como forma de lhe prestar solidariedade.
Apesar disso, na noite do rapto de Nito Alves, a Televisão Pública de Angola (TPA) desencadeou uma campanha de propaganda de tom apocalíptico. A TPA concentrou-se exclusivamente no título do livro de Domingos da Cruz, impresso nas costas das camisolas, para desviar as atenções da operação de rapto mal-sucedida, e da inscrição na parte frontal das camisolas “nojento ditador”. Aparentemente, a delegação da União Europeia, em Luanda , baseou o relatório, que entregou a Durão Barroso, na propaganda da TPA, uma vez que não há qualquer referência a esta informação nas acusações contra Nito Alves.
As Acusações Contra Nito Alves
Apresentem-se os factos.
O Ministério Público tomou a liberdade de mudar, quatro vezes, as acusações contra Nito Alves. No primeiro processo Nito Alves não era acusado de nenhum crime específico, enquanto nos processos seguintes foi acusado de insultar o presidente, embora com base em argumentações legais diferentes.
Finalmente, a 8 de Novembro, de forma contenciosa, a Procuradoria-Geral da República recorreu à revogada Lei dos Crimes contra a Segurança de Estado (Lei nº 7/78) para formular a acusação final contra o jovem activista. A Procuradoria citou o artigo referente ao Atentado contra o Chefe de Estado (Art. 16º, 3º). A Lei nº 7/78 é a mesma que foi usada contra Domingos da Cruz.
O Ministério Público acusou Nito Alves do “crime de injúrias contra titular de órgão de soberania”. Esta acusação foi feita no mesmo dia em que o jovem foi libertado sob termo de identidade e residência.
Os argumentos do Ministério Público são bastante claros. Na acusação explica que, durante o interrogatório, Nito Alves reiterou que “não retira a palavra ‘nojento’, [que havia mandado estampar nas camisolas] e que ‘se o presidente se sentir ofendido com isto é porque presume cometer tais erros’ ”.
De acordo com a PGR, “as referidas palavras visaram insultar e ofender moralmente o Presidente da República de Angola, José Eduardo dos Santos, popularmente conhecido por Zé Dú, órgão de soberania que deve ser tratado com todo o respeito e reverência”.
Não há acusações contra Nito Alves por “incitação à desordem pública”, como afirma a Baronesa Ashton. Essa afirmação é simplesmente falsa. Falei com o advogado Salvador Freire, da Associação Mãos Livres, que se encontrou com a delegação da União Europeia em Angola. Negou ter prestado tal informação.
Oh, Durão Barroso!
Se Durão Barroso e os seus serviços estão a acompanhar o caso de perto, então, estão a enganar a Comissão Europeia e o Parlamento Europeu.
O Parlamento Europeu deve instar Durão Barroso e a Baronesa Ashton a corrigirem este baixo acto de diplomacia e a apresentarem a verdade dos factos.
Há um ditador em Angola que encarcerou um menor por ter mandado imprimir 20 camisolas nas quais é descrito como “nojento”. O mesmo ditador está a julgar um menor através de uma lei, dos Crimes contra a Segurança de Estado, revogada há três anos. O menor é obrigado a apresentar-se, quinzenalmente, numa esquadra policial. Estes são os factos.
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