Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Jardim das Delícias


Terça-feira, 16.09.14

A mais nova provocação de Israel - Robert Fisk

 

 

Robert Fisk  A mais nova provocação de Israel

 

Após arrasar Gaza, Telaviv quer construir colônia gigante de ocupação na Cisjordânia, desalojando palestinos e violando Direito internacional

 

(tradução do The Independent feita por Vila Vudu)

 

 

 OutrasPalavras, 2 de Setembro de 2014

 

   Visão de mundo? Israel rouba terras, os palestinos são roubados. Não há outra coisa para ver.

E assim mais uma fatia da terra palestina escorregou pelo ralo. Mais uns mil acres de terra palestina roubada pelo governo de Israel – porque… “apropriação” é roubo, não é? – e o mundo já apareceu com as desculpas de sempre.

Os norte-americanos acharam o roubo “contraproducente” para a paz, o que é reação bastante amena, se se considera o que os EUA diriam/fariam se o México roubasse 1.000 acres de terra do Texas e resolvesse construir casas ali para imigrantes mexicanos ilegais nos EUA.

 Mas, não. Foi na ‘Palestina’ (país inexistente, daí as aspas simples). E Israel conseguiu safar-se, terras roubadas e tudo, embora o roubo alcance agora escala inusitada – foi a maior quantidade de roubo de terra em 30 anos, desde que foi assinado o Acordo de Oslo em 1993.

O aperto de mão Rabin-Arafat, as promessas e trocas de territórios e retiradas militares, e a determinação de deixar tudo de importante (Jerusalém, refugiados, o direito de retorno) para o fim, até que todos confiassem tanto uns nos outros que a coisa seria facílima… não surpreende que o mundo tenha feito descer sobre os dois sua generosidade financeira.

Mas esse mais recente roubo de terra não apenas reduz a “Palestina”: também mantém o círculo de concreto armado em torno de Jerusalém, para manter os palestinos bem distantes, tanto da capital que se espera que eles partilhem com israelenses, como de Belém.

Foi instrutivo saber que o conselho Etzion israelense-judeu considerou o roubo como castigo pelo assassinato de três adolescentes israelenses em junho. “O objetivo dos assassinatos dos três jovens foi semear o medo entre nós, interromper nossa vida diária e pôr em dúvida nosso direito [sic] à terra” – anunciou o conselho Etzion. “Nossa resposta é reforçar a colônia”.

Deve ser a primeira vez que alguém ‘adquiriu’ terras na “Palestina” sem usar desculpas sobre segurança ou direitos de nascimento – ou por decisão-autorização direta de Deus. Dessa vez, o motivo para roubar terra palestina foi declaradamente vingança. Assim se cria interessante precedente.

Se a vida de um israelense inocente – cruelmente ceifada – vale cerca de 330 acres de terra, a vida de um palestino inocente – também cruelmente ceifada – vale a mesma porção de terra.

E se metade, que seja, dos 2.200 palestinos mortos em Gaza mês passado – e esse é número conservador – fossem inocentes, nesse caso os palestinos hoje teriam direito assegurado a 330 mil acres de terra israelense; na realidade, muito mais. Mas por mais “contraproducente” que essa conta seja, com certeza os EUA não aprovariam. Israel rouba terra, palestinos perdem terra; é assim que funciona. É assim desde 1948, e assim continuará.

Jamais existirá ‘Palestina’ alguma, e o mais recente roubo de terra palestina é apenas mais um ponto acrescentado no livro dos padecimentos que os palestinos têm de ler, enquanto seus sonhos de terem estado seu se vão diluindo. Nabil Abu Rudeineh, porta-voz do ‘presidente’ palestino Mahmoud Abbas, disse que o chefe dele e as forças moderadas na Palestina haviam sido “apunhalados pelas costas” pela decisão dos israelenses, o que é dizer pouco, praticamente nada. Abbas tem as costas completamente apunhaladas, de cima a baixo. E esperava o quê, da vida, quando escreveu um livro sobre as relações palestinos-israelenses no qual não escreveu nem uma única vez, uma, que fosse, a palavra “ocupação”?

O que significa que voltamos ao velho joguinho. Abbas não pode negociar com ninguém a menos que fale pelo Hamás, tanto quanto pela Autoridade Palestina. Como Israel sabe. Como os EUA sabem. Como a União Europeia sabe. Mas cada vez que Abbas tenta construir governo de unidade nacional, todos nós nos pomos a guinchar que o Hamás é organização “terrorista”.

E Israel argumenta que não pode conversar com uma organização “terrorista” que exige a destruição de Israel – por mais que Israel costumasse conversar muito com Arafat e, naqueles dias, tenha ajudado o Hamás a construir mais mesquitas em Gaza e na Cisjordânia, para servirem como contrapeso ao Fatah e a todos os outros então “terroristas” lá de Beirute.

Claro, se Abbas fala só por ele mesmo, Israel então diz o que já disse: que se Abbas não fala por Gaza, Israel não tem com quem negociar. Mas… isso realmente ainda interessa? Todas as manchetes do mundo, sobre esse assunto, deveriam exibir uma tarja de luto: “Adeus, Palestina”.

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Augusta Clara às 08:00

Quarta-feira, 28.08.13

Does Obama know he’s fighting on al-Qa’ida’s side? - Robert Fisk

 

Robert Fisk  Does Obama know he’s fighting on al-Qa’ida’s side?

 

 

  The Independent, 27 August 2013

If Barack Obama decides to attack the Syrian regime, he has ensured – for the very first time in history – that the United States will be on the same side as al-Qa’ida.

Quite an alliance! Was it not the Three Musketeers who shouted “All for one and one for all” each time they sought combat? This really should be the new battle cry if – or when – the statesmen of the Western world go to war against Bashar al-Assad.

The men who destroyed so many thousands on 9/11 will then be fighting alongside the very nation whose innocents they so cruelly murdered almost exactly 12 years ago. Quite an achievement for Obama, Cameron, Hollande and the rest of the miniature warlords.

This, of course, will not be trumpeted by the Pentagon or the White House – nor, I suppose, by al-Qa’ida – though they are both trying to destroy Bashar. So are the Nusra front, one of al-Qa’ida’s affiliates. But it does raise some interesting possibilities.

Maybe the Americans should ask al-Qa’ida for intelligence help – after all, this is the group with “boots on the ground”, something the Americans have no interest in doing. And maybe al-Qa’ida could offer some target information facilities to the country which usually claims that the supporters of al-Qa’ida, rather than the Syrians, are the most wanted men in the world.

There will be some ironies, of course. While the Americans drone al-Qa’ida to death in Yemen and Pakistan – along, of course, with the usual flock of civilians – they will be giving them, with the help of Messrs Cameron, Hollande and the other Little General-politicians, material assistance in Syria by hitting al-Qa’ida’s enemies. Indeed, you can bet your bottom dollar that the one target the Americans will not strike in Syria will be al-Qa’ida or the Nusra front.

And our own Prime Minister will applaud whatever the Americans do, thus allying himself with al-Qa’ida, whose London bombings may have slipped his mind. Perhaps – since there is no institutional memory left among modern governments – Cameron has forgotten how similar are the sentiments being uttered by Obama and himself to those uttered by Bush  and Blair a decade ago, the same bland assurances, uttered with such self-confidence but without quite  enough evidence to make it stick.

In Iraq, we went to war on the basis of lies originally uttered by fakers and conmen. Now it’s war by YouTube. This doesn’t mean that the terrible images of the gassed and dying Syrian civilians are false. It does mean that any evidence to the contrary is going to have to be suppressed. For example, no-one is going to be interested in persistent reports in Beirut that three Hezbollah members – fighting alongside government troops in Damascus – were apparently struck down by the same gas on the same day, supposedly in tunnels. They are now said to be undergoing treatment in a Beirut hospital. So if Syrian government forces used gas, how come Hezbollah men might have been stricken too? Blowback?

And while we’re talking about institutional memory, hands up which of our jolly statesmen know what happened last time the Americans took on the Syrian government army? I bet they can’t remember. Well it happened in Lebanon when the US Air Force decided to bomb Syrian missiles in the Bekaa Valley on 4 December 1983. I recall this very well because I was here in Lebanon. An American A-6 fighter bomber was hit by a Syrian Strela missile – Russian made, naturally – and crash-landed in the Bekaa; its pilot, Mark Lange, was killed, its co-pilot, Robert Goodman, taken prisoner and freighted off to jail in Damascus. Jesse Jackson had to travel to Syria to get him back after almost a month amid many clichés about “ending the cycle of violence”. Another American plane – this time an A-7 – was also hit by Syrian fire but the pilot managed to eject over the Mediterranean where he was plucked from the water by a Lebanese fishing boat. His plane was also destroyed.

Sure, we are told that it will be a short strike on Syria, in and out, a couple of days. That’s what Obama likes to think. But think Iran. Think Hezbollah. I rather suspect – if Obama does go ahead – that this one will run and run.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Augusta Clara às 08:00

Quarta-feira, 08.05.13

Os EUA e os ataques de Israel à Síria: quem cala consente - Robert Fisk

 

Robert Fisk  Os EUA e os ataques de Israel à Síria

 

 

 

Publicado no Esquerda.Net em 7 de Maio de 2013

 

   Os iranianos e o Hezbollah são acusados de intervir na Síria, o Qatar e a Arábia Saudita canalizam armas para os rebeldes e agora os israelitas também entraram.

 

Luzes no céu sobre Damasco. Outro raide israelita – “ousado”, é claro, nas palavras dos apoiantes de Israel, e o segundo em dois dias – contra os arsenais e instalações militares de Bashar al-Assad. A história já parece familiar: os israelitas queriam evitar que um carregamento de mísseis iranianos Fateh-110 chegasse às mãos do Hezbollah no Líbano; essa carga estaria a ser enviada pelo governo sírio. Pelo menos, segundo uma “fonte da espionagem ocidental”. Anónima, evidentemente. E abrindo a velha questão: por que motivo, no momento em que o regime sírio luta pela vida, iria enviar mísseis modernos para fora da Síria?

Mas os próprios sírios confirmaram oficialmente que os israelitas atingiram instalações militares. E não pela primeira vez durante a rebelião. O Fateh-110 – a nova versão, pelo menos – tem um alcance de talvez 250 km. E podia realmente atingir Tel Aviv a partir do Sul do Líbano. Se o Hezbollah de facto adquiriu algum. Mas por que os sírios os enviariam, como afirmaram também fontes dos EUA na noite passada, quando os próprios americanos disseram em dezembro que os sírios tinham usado os mesmos mísseis terra-terra contra as forças rebeldes na Síria?

Por outras palavras, o regime sírio estaria preparado para dispensar os seus foguetes para o Líbano quando já os estava a usar na brutal guerra na Síria... Agora há outras perguntas a fazer. Se a força aérea síria pode usar os seus MiGs de forma tão devastadora – e com tantos custos civis – contra os seus inimigos no interior da Síria, por que não teriam podido enviá-los para proteger Damasco e atacar os aviões israelitas? Não é suposto que a força aérea síria proteja o país de Israel? Ou os MiGs simplesmente não têm condições técnicas de enfrentar o equipamento avançado israelita (americano)? Ou isso seria ir demasiado longe?

Muito mais importante, contudo, é o facto de Israel estar a intervir na guerra síria. Pode dizer que o seu alvo eram apenas as armas destinadas ao Hezbollah – mas estas armas também estão a ser usadas contra as forças rebeldes sírias. Ao reduzir o arsenal destas armas, está desta forma a ajudar os rebeldes a derrubar Bashar al-Assad. E como Israel se considera uma nação ocidental – o melhor amigo e melhor aliado militar dos EUA no Médio Oriente, etc., etc – isto significa que “nós” estamos mais uma vez envolvidos na guerra, diretamente e em ações aéreas.

Vamos ver se os EUA e a UE condenam os ataques aéreos israelitas. Duvido. O que significaria, se ficarmos silenciosos, que os aprovamos. Silêncio, para citar Sir Thomas More, significa consentimento.

Assim, os iranianos e o Hezbollah são acusados de intervir na Síria – o que é verdade, apesar de essa intervenção não ter a extensão que nos querem fazer crer – e o Qatar e a Arábia Saudita canalizam armas para os rebeldes – verdade, mas não são suficientes, como vos dirão os rebeldes sírios – e os israelitas também entraram. Agora estamos militarmente envolvidos.

 

Robert Fisk escreve para o Independent. Esta coluna foi rebuplicada pelo Counterpunch e traduzida por Luis Leiria para o Esquerda.net.

 

 

Israel ataca instalações militares sírias       

 

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Augusta Clara às 08:00



Pesquisar

Pesquisar no Blog  

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Comentários recentes


Links

Artes, Letras e Ciências

Culinária

Editoras

Filmes

Jornais e Revistas

Política e Sociedade

Revistas e suplementos literários e científicos