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Delícias são tudo o que nos faz felizes: um livro, a magia dum poema ou duma música, as cores duma paleta ... No jardim o sol não raia sempre mas pulsa a vida, premente.
Carlos Matos Gomes Uma vinha vindimada
Uma vinha vindimada. A frase consta de um texto de Luís Salgado de Matos de 4 de novembro, no seu excelente blogue “O economista Português”, a propósito da venda em hasta pública da PT (das razões que conduziram a empresa àquela situação) e de um abaixo-assinado a contestar a barganha. Escrevia Salgado de Matos: “Será que a nossa pertença ao euro e a política atual da União Europeia são estranhas à crise da nossa economia e à da Pt? Depois do euro e com mais uns anos da política financeira de bloco central, que felizmente nos rege, a economia portuguesa será vinha vindimada. O abaixo assinado esquece estas realidades e semipropõe-se semieliminar uma consequência respeitando amorosamente todas as causas.”
Numa penada, a propósito da PT, somos levados ao centro da história recente. Ao tripé em que assenta o nosso actual sistema de vida: euro, União Europeia e governo de bloco central. Não há saída para o impasse em que nos encontramos sem atacar estas três questões e decidir sobre elas. Isto é, se respeitarmos (mais ou menos amorosamente) estas causas não escaparemos ao destino traçado de despojamento e miséria, quando muito de mão de obra para as tarefas que ainda não possam ser realizadas por robôs.
Há que começar por algum lado e julgo que devemos começar pelo bloco central. Temos de mudar cá dentro. A rutura tem (a meu ver) que iniciar-se internamente. A mudança interna tem dois protagonistas: o PS e os movimentos sociais. Ou o PS lidera a rutura (infelizmente não o vejo com energia e disposição para isso, apesar da ajuda das primárias…) ou os movimentos sociais o ultrapassam, criando um novo centro político e social. Restam no sistema político formações conservadores, instaladas na dualidade direita-esquerda que tem a sua matriz no século XIX.
Se surgir, o novo ator progressista terá de se articular com os novos movimentos políticos e sociais que estão a emergir no sul da Europa, para encarar os problemas do euro e da UE. Para a velha direita o problema coloca-se de igual modo, com os neofascismos e neonacionalismos. Curiosamente os problemas são os mesmos, com iguais questões e perguntas: O euro mantém-se, acaba, muda, desdobra-se? A UE evolui para uma federação, regressa a um espaço de livre comércio, desagrega-se com a formação de várias outras pequenas uniões (Escandinavos, Germânicos, Latinos)?
Como estão, é que as coisas não podem ficar – por mim, a Europa não pode ser a vinha vindimada que os neoliberais criaram.
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