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Jardim das Delícias


Sexta-feira, 20.11.15

Terrorismo verbal - José Goulão

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José Goulão  Terrorismo verbal

 

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Mundo Cão, 19 de Nobembro de 2015

 

   O presidente dos Estados Unidos da América aconselha o presidente da Rússia a “focar-se” nos ataques ao Estado Islâmico, ou ISIS, ou Daesh, ou Al-Nusra ou Al-Qaida; o primeiro ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, propôs que haja uma frente internacional contra o terrorismo.

Disseram-no com ar de grandes estadistas possuidores das soluções para os males do mundo.

Barack Obama queixoso pelo facto de as forças aéreas e navais russas actuando na Síria parecerem “mais preocupadas” em defender o regime de Assad, ao que diz sem poupar os alibis bonzinhos de Washington, Paris, Londres e NATO - a meia dúzia de terroristas “moderados” que servem de interface para abastecer com armas, munições e dólares os terroristas “extremistas”. “Moderação” em que deve confiar-se piamente, sobretudo sabendo que um dos principais fundadores operacionais do grupo foi o chefe em exercício do Estado Islâmico no Magrebe, Abdelhakim Belhadj.

Netanyahu, por seu lado, convencido de que o mundo não conhece a sua generosidade para com o Estado Islâmico ao ceder-lhe os Montes Golã – ocupados à Síria – como rectaguarda, ao facultar-lhe hospitais israelitas para cuidar os terroristas feridos com maior gravidade.

Procurei uma qualificação adequada à gravidade e à irresponsabilidade destas declarações de dois aliados, que se confessam unidos haja o que houver, e só encontro uma: terrorismo verbal. Porque as suas palavras não passam de manobras de diversão que desviam as atenções da essência do terrorismo; porque mentem sobre a realidade gerando propaganda que, em última análise, serve o terrorismo; porque pretendem fazer crer que estes dois seres nada têm a ver com os grupos sanguinários que fingem combater. Obama e Netanyahu aconselham soluções mas continuam a ser a parte essencial do problema.

As forças militares russas colaboram com as forças armadas sírias no combate ao terrorismo? Não existe outra maneira legal de o fazer nos termos da Carta da ONU. A Síria é um Estado soberano, não é um território neutro onde qualquer um pode fazer operações militares quando e como lhe apetece, muito menos invocando argumentos distorcidos. Como é o caso do Pentágono que directamente – agora com tropas no terreno – ou por interpostos terroristas afirma ter como objectivo combater simultaneamente o Estado Islâmico e Bachar Assad, patranha em que nem os autores acreditam porque sabem, melhor que ninguém, que o objectivo é mudar o regime sírio e desmantelar o país. Por isso a “guerra” que Washington e aliados têm alegadamente conduzido contra o Estado Islâmico há mais de um ano deixou os terroristas mais fortes, mais armados, mais endinheirados; à Rússia, porém, bastou pouco mais de um mês para destruir centenas de centros de comando e outros alvos estratégicos do Daesh, libertar aldeias, vilas e aeroportos, estando agora em vias de cortar o eixo terrestre que garante a ligação terrorista entre a Turquia e o Iraque. Até a França, a duras penas, é certo, parece entender que essa é a maneira certa e credível de combater os grupos mercenários, pelo menos tem-no feito nos últimos dias. Sem complexos de coordenar esforços com Moscovo, ou de que tais operações sustentem Assad, na verdade um dos ódios de estimação de Paris. Aliás, a nova opção francesa parece ser a mais eficaz e certeira. Porque, segundo fontes citadas pela imprensa dos Estados Unidos, o ataque gaulês contra o Estado Islâmico lançado no dia seguinte ao dos atentados de Paris, feito ainda em coordenação com sistemas de informações norte-americanos, destruiu várias clínicas e um museu na cidade de Raqqa como sendo assustadores alvos terroristas.

O Obama dos conselhos e acusações à Rússia é o mesmo que contribuiu para destruir a Líbia, que desencadeou a guerra civil na Síria com recurso a mercenários de todos os matizes, que tornou praticamente irreversível o desmantelamento do Iraque. E que agora, de braço dado com Netanyahu, tolera limpezas étnicas no norte do território sírio para criar aí um Estado curdo artificial que lhes garanta o controlo dos manás petrolíferos de uma região que se estende ao país que já se chamou Iraque.

Quanto a Netanyahu e aos seus apelos contra o terrorismo, não há que gastar muito espaço. O mundo sabe que o seu nome se tornou um sinónimo desse mesmo terrorismo.

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por Augusta Clara às 08:00

Terça-feira, 17.11.15

Perfil dum terrorista dos nossos dias - José Goulão

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José Goulão  Perfil dum terrorista dos nossos dias

 

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Recebendo homenagens do senador McCain, dos amigos americanos

 

Mundo Cão, 17 de Novembro de 2015

 

   As informações estão em poder da Interpol. Deitar-lhe a mão nestes tempos em que as leis e as fronteiras não são problema para assaltos a vidas, soberanias e privacidades, seria apenas uma questão de, digamos, “vontade política”, não é assim que costuma invocar-se? O seu paradeiro não é certamente segredo para a miríade de serviços secretos que apregoam defender “o nosso modo de vida”: é a Líbia, depois de tão bem democratizada pela NATO, onde ele exerce altos cargos políticos e operacionais no governo dominante, o mesmo que invoca para si próprio “o islamismo puro”.

Nome: Abdelhakim Belhadj. A história da sua vida dava um filme daqueles bem a gosto de Holywood, tanto mais que o seu currículo – em poder da Interpol, repito – corresponde às imagens dos rambos de séries A, B ou C cujos feitos heróicos coincidem com as vontades objectivas dos Estados Unidos e de Israel, países onde os fins e os agentes escolhidos para os executar justificam quaisquer meios e o recurso a psicopatas sanguinários.

Sabe a Interpol que Abdelhakim Belhadj é, no presente, o chefe do Estado Islâmico, ou ISIS ou Daesh, no Magrebe e que, operacionalmente, criou e orienta campos de treino de mercenários assassinos na Líbia, concretamente em Derna, Syrte e Sebrata, além de um escritório do ISIS em Djerba, na Tunísia.

Antes disto, Belhadj chefiou os terroristas do Grupo Islâmico Combatente na Líbia (GICL), que em 2007 mudou de nome para Al-Qaida, mais sintonizado com os tempos. Por quatro vezes, entre 1995 e 1998, tentou assassinar Khadaffi a mando do MI6, os serviços secretos ao serviço do terrorismo de Estado britânico. Perseguido na Líbia mudou-se para o Afeganistão, onde se instalou e agiu ao lado de Ussama bin-Laden, o qual dispensa apresentações.

Como a polícia espanhola suspeita de que foi um dos mandantes do atentado ferroviário em Madrid Atocha, em Março de 2004, foi detido logo a seguir na Malásia. Como se percebe, não terá sido difícil identificá-lo e prendê-lo, porque meia dúzia de dias e milhares de quilómetros mediaram entre crime e captura. Passou então maus bocados numa prisão secreta da CIA para onde foi transferido e onde ficou alojado para experimentar as famosas técnicas de tortura – “condicionamento de comportamento”, chamam-lhe nos Estados Unidos – do professor Seligman, métodos de cujas provas a CIA tentou desesperadamente impedir a divulgação.

Abdelhakim Belhadj restabeleceu-se depressa: para ele não se seguiram penas eternas no campo de concentração de Guantanamo, também ele eterno se a este Obama se sucederem outros obamas, coisa mais do que provável. É verdade que ainda foi extraditado para a Líbia, através de um acordo entre os Estados Unidos e o regime de Khadaffi, onde voltou a ser torturado, dessa feita às mãos do MI6 que antes servira. Nestas coisas, a CIA e a sua irmã MI6 são muito ciosas, separam as águas, cada uma quer fazer a sua tarefa ainda que repetindo-se.

Khadaffi libertou-o em 2010, no quadro de uma “reconciliação nacional”, e mal teve tempo para se arrepender. Abdelhakim Belhadj viajou para o Qatar e no ano seguinte estava à frente de grupos de mercenários que, ao lado e protegidos pelos bombardeamentos da NATO – França e Reino Unido, principalmente – derrubaram e assassinaram Khadaffi. Como recompensa pelos serviços prestados, e por recomendação na NATO, o Conselho de Transição nomeou-o governador militar de Tripoli, a capital.

Belhadj não aqueceu o lugar. Ainda teve tempo, porém, para exigir e obter desculpas dos Estados Unidos e do Reino Unido pelas sevícias sofridas noutros tempos, e o que lá ia lá foi. Outras tarefas estratégicas o aguardavam. Partiu em finais de 2011 para a Síria, onde foi um dos principais fundadores do Exército Livre da Síria, os famosos “moderados” tão queridos da senhora Clinton, da NATO, da União Europeia - com destaque para a França - e dos regimes fundamentalistas do Golfo, Arábia Saudita à cabeça. O objectivo era derrubar Assad, mas Assad resiste e já lá vão mais de 250 mil mortos, milhões de refugiados e um país destroçado, massacre cujas responsabilidades nenhum intervencionista ilegal e ilegítimo assume.

Sempre sem perder tempo, Abdelhakim Belhadj regressou à Líbia natal, onde fundou um partido governante, a maneira que encontrou, num cenário de caos, para instalar os terroristas islâmicos no poder em Tripoli.

Na qualidade de figura de proa na Líbia, provavelmente já na posição de chefe do Estado Islâmico no Magrebe, que a Interpol reconhece, Abdelhakim Belhadj foi recebido em 2 de Maio de 2014 no Ministério dos Negócios Estrangeiros em Paris, tutelado por Laurent Fabius, ministro de Hollande e também um incondicional amigo de Israel.

Laurent Fabius, exactamente: que é ainda o ministro dos Negócios Estrangeiros de Hollande nestes dias em que continuam a sangrar as feridas abertas pelo assalto às vidas dos parisienses, ao que dizem cometido pela organização de que Abdelhakim Belhadj é um dos chefes máximos.

As informações sobre este terrorista-modelo dos nossos dias e o seu currículo estão nas mãos da Interpol. “Estamos em guerra”, proclama o presidente Hollande com os acenos concordantes do chefe da sua diplomacia. Vamos então esperar pelo que se segue, para ver o que acontece.

 

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por Augusta Clara às 15:00

Segunda-feira, 06.04.15

A fraude da guerra contra o terrorismo - José Goulão

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José Goulão  A fraude da guerra contra o terrorismo

 

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   Mundo Cão, 5 de Abri de 2015

 

   Nunca como hoje foram tão sonoras as vozes que proclamam uma guerra sem quartel contra o terrorismo, nunca foram tantas as guerras declaradas e desenvolvidas em nome do combate ao terrorismo e nunca, como hoje, foi tão florescente a actividade terrorista.

Há aqui qualquer coisa que não bate certo. Ou querem fazer de nós parvos ou a guerra contra o terrorismo, esse conceito inventado por George W. Bush com base em difamações e mentiras, é em si mesma um catalisador e parte integrante do terrorismo global.

O conceito de guerra contra o terrorismo foi lançado por George W. Bush na ressaca brutal dos atentados de 11 de Setembro de 2001, os quais permitiram e continuam a servir de pretexto para a imposição de estados de excepção, primeiro nos próprios Estados Unidos da América e depois onde os poderes que governam os Estados Unidos da América entendem que devem ser impostos, seja qual for o recanto do planeta.

Saber ao certo quem e o que esteve na origem do 11 de Setembro é missão impossível e sê-lo-á provavelmente para sempre, tal como decifrar o enigma do assassínio de JF Kennedy. Uma coisa é certa: as verdades oficiais já foram desmascaradas como contos da Carochinha, mas continuam a valor como realidades virtuais e paralelas, que servem, aliás, para praticar as maiores atrocidades por esse mundo fora em nome da guerra contra o terrorismo.

De uma coisa parece ninguém ter dúvidas, mesmo os autores das histórias da Carochinha. Antes de 11 de Setembro de 2001 o fenómeno terrorista não tinha o alcance global que tem hoje. E se nos restringirmos ao terrorismo que é apresentado como islâmico, o fenómeno apenas ganhou asas para voar com alguma consistência a partir do momento em que serviu de pretexto para criar “combatentes da liberdade” através dos quais Washington conduziu a guerra contra as tropas soviéticas no Afeganistão.

Essa é a génese do terrorismo islâmico como hoje o conhecemos. O próprio Hamas não foi, nas suas origens na final da década de oitenta do século passado, mais do que a radicalização de uma facção da Irmandade Muçulmana egípcia usada por Israel para dividir a resistência palestiniana, seguindo os figurinos adoptados anos antes pelos seus aliados norte-americanos no Afeganistão.

A Frente Islâmica de Salvação (FIS) na Argélia recebeu reforços decisivos dos terroristas desempregados do Afeganistão a seguir ao fim da União Soviética, por isso eram conhecidos como ”afegãos”, e a partir daí é o que se vê. As Al Qaidas e os Estados Islâmicos, conhecidos sob mil e uma designações onde quer que actuem, da Península Arábica até à África profunda, desenvolvem-se e proliferam quanto mais intensas são as promessas propagandísticas de combate ao terrorismo. Veja-se o estado em que se encontram o Iraque, o Egipto, a Síria, o Médio Oriente em geral, a Líbia, a Nigéria, o Mali, a República Centro Africana, o Bahrein, o Iémen e extraiam-se as conclusões. Todas estas situações são fruto da guerra contra o terrorismo desenvolvida pelos Estados Unidos da América e respectivo braço imperial, a NATO. Sem esquecer o ramo desta, o bando petromafioso que dá pelo nome de Conselho de Cooperação do Golfo, um alter-ego de um país terrorista, a Arábia Saudita, autor directo de sanguinárias chacinas no Bahrein e no Iémen, e financiador de várias outras, entre as quais avultam as da Síria e da Líbia.

É impossível, de facto, alcançar os prometidos resultados da guerra contra o terrorismo quendo o terrorismo e os que conduzem a dita guerra estão do mesmo lado da barricada enquanto, do outro, apenas conseguimos descortinar as vítimas indefesas.

 

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por Augusta Clara às 08:00

Quarta-feira, 16.07.14

Israel, os terroristas “bons” e os terroristas “maus" - Charles Hussain (Beirute)

 http://www.jornalistassemfronteiras.com/

 

Charles Hussain (Beirute)  Israel, os terroristas “bons” e os terroristas “maus”

 

 

   15 de Julho de 2014

   Na esteira dos seus aliados norte-americanos e europeus, designadamente França e Reino Unido, Israel tem relações cúmplices, inclusive de âmbito operacional, com grupos terroristas islâmicos que participam no processo de “remodelação” de fronteiras em curso no Médio Oriente.
Essa realidade já não é sequer “um segredo de Polichinelo”, admite-se em Beirute, onde se avolumam provas e informações sobre a “rede mais ou menos clandestina, mas conhecida, envolvendo militares e serviços de espionagem de grandes potências e grupos armados sectários e religiosos multinacionais assentes em estruturas mercenárias”, segundo um general do exército libanês na reserva.
“Desde que um oficial austríaco de uma força de observadores das Nações Unidas nos Montes Golã denunciou a colaboração directa entre estruturas militares israelitas e grupos terroristas islâmicos actuando na Síria para derrubar o governo de Assad percebeu-se que estava reservado um papel importante ao denominado Estado Islâmico do Iraque e do Levante nos acontecimentos da região”, declarou o general.
De acordo com as denúncias do oficial austríaco, entretanto tornadas públicas, Israel montou um hospital de campanha nos Montes Golã onde os serviços militares de saúde israelita socorrem mercenários dos grupos islâmicos, transportando-os para hospitais israelitas nos casos mais graves.
O mesmo oficial revelou que existe no mesmo território sírio sob ocupação israelita uma sala de operações comum onde militares israelitas e chefes dos grupos islamitas coordenam as acções na Síria, “e agora por certo também no Iraque, onde o Exército Islâmico proclamou o seu califado”, afirma o militar libanês.
“É importante que se saiba que Israel disponibilizou um sistema de novos mísseis de médio e longo alcance instalado também nos Montes Golã para dar cobertura às operações dos grupos com afinidades à Al-Qaida no interior da Síria”, segundo Nadia Said, comentadora de assuntos militares e estratégicos em meios de comunicação libaneses. “Esta informação não é um ‘top secret’, pois foi divulgada por um dos principais canais de televisão israelitas”, acrescentou.
“A questão é que para Israel e os Estados Unidos há terroristas islâmicos bons e terroristas islâmicos maus”, explica Lionel Villepoint, professor universitário francês há muito radicado em Beirute e que dedica grande parte do seu trabalho a investigar as transformações em curso no Médio Oriente. “Não sou eu que acho, foi o primeiro ministro Netanyahu que o disse segundo os relatos de uma visita que, acompanhado por altos comandos militares israelitas, fez às estruturas colocadas ao dispor dos extremistas islâmicos nos MonteGolã”, acrescentou.
Villepoint recordou o relato da visita de Netanyahu ao hospital de companha montado por Israel para socorrer os extremistas islâmicos que combatem na Síria publicado pelo diário Jerusalem Post, identificado com as correntes governamentais israelitas. “Diz o jornal que Netanyahu declarou aquele hospital como o lugar de separação entre os bons e os maus, sendo os bons os combatentes da liberdade que actuam na Síria e os maus os que, sustentados pelo Irão, apoiam o regime de Damasco”, afirma Lionel Villepoint.
“Pelos vistos”, acrescentou o professor francês, “aquele hospital não separa apenas ‘bons dos maus’; ele simboliza as linhas de confrontação no Médio Oriente e que fazem com que Israel se identifique com o ‘califado’ do Exército Islâmico proclamado no Iraque ao mesmo tempo que combate o Hamas em Gaza”.
“Este comportamento torna evidente a linha de fractura mais importante existente actualmente no Médio Oriente”, sublinha Lionel Villepoint: “Israel, Estados Unidos, grandes potências da União Europeia e as monarquias petrolíferas do Golfo apoiando o extremismo islâmico sunita que concretiza os seus objectivos no terreno; e os mesmos países proclamando como inimigo principal o extremismo xiita, devido aos seus laços com o Irão, e também grupos sunitas ‘contra natura’, como o Hamas, porque recebem igualmente apoio de Teerão”.
O professor Villepoint considera que esta realidade  explica igualmente o que se passou no Egipto, “onde por imposição das ditaduras petrolíferas do Golfo é preciso aniquilar a Irmandade Muçulmana, não sendo por acaso que o grupo equivalente na Síria se submerge perante o poder e os apoios dos novos extremismos. Para o fundamentalismo extremista waahabita que governa a Arábia Saudita, a Irmandade Muçulmana é uma heresia a eliminar”, diz Lionel Villepoint. “E o Hamas", acrescenta, “paga caro por ser uma tripla vítima da situação: nasceu da Irmandade Muçulmana, recebe apoios do Irão xiita e pretende um Estado Palestiniano, coisa que, na verdade, começa a passar à história neste cenário”.

Charles Hussain, Beirute

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por Augusta Clara às 15:50

Terça-feira, 08.07.14

“Um judeu é uma alma, um árabe é um filho da puta”... - José Goulão

http://www.jornalistassemfronteiras.com/

 

José Goulão  “Um judeu é uma alma, um árabe é um filho da puta”...

 

 

 

 

 Original de Ronnie Barkan 

   8 de Julho de 2014

   Grupos de assalto sionistas-fascistas, ou siofascistas, movem-se livremente através de Jerusalém ocupada e de cidades israelitas numa “caça aos árabes”, controlando táxis, insultando israelitas anti-racistas. “Um judeu é uma alma, um árabe é um filho da puta”, ouve-se neste vídeo que Ronnie Barkan fez chegar ao Comité EuroPalestine e a circular em Portugal através do Comité Palestina. É um ambiente de pogrom no país que se considera a si mesmo renascido do Holocausto.
Não se trata de um fenómeno de hoje, nem de ontem. É a expressão do siofascismo, o fascismo sionista, xenófobo e racista que sustenta a ocupação e colonização da Palestina perante a complacência mundial. Um siofascismo que está presente no governo israelita chefiado por Benjamin Netanyahu. Um siofascismo que pretende ser regime e, pelos caminhos actuais do Médio Oriente, não tardará a sê-lo.
Estes gritos de “morte aos árabes”, “morte aos esquerdistas”, os escritos “arab raus” nas paredes das cidades de Israel, os insultos baixos que atingem milhão e meio de seres humanos que têm nacionalidade israelita e não são judeus, não são apenas destes dias.
Neste ambiente deu-se, no domingo, o assassínio do jovem palestiniano Mohamed Abu Jadair, queimado vivo por uma turba com um comportamento afim.
Porém, este é o mesmo ambiente que em 1994/1995 conduziu ao assassínio do primeiro ministro israelita e  Isaac Rabin e, a partir daí, à instauração do regime de Netanyahu/Sharon/Barak e à mentalidade dominante e expansionista do “Grande Israel”.
São grupos de assalto actuantes em Jerusalém do mesmo modo que os seus gémeos atacam em Odessa, Slaviansk e outras cidades ucranianas, ou contra os sem-abrigo em Londres, Paris e Budapeste, contra imigrantes em cidades italianas ou norte-americanas, contra ciganos em França, na República Checa, Eslováquia e Roménia – um fenómeno único que só os que não querem ver e desejam esconder podem admitir ter origens diferentes num mundo globalizado como o actual.
Nos escombros do muro de Berlim nasceu o muro de separação em Israel, renascem as “naturezas puras” e xenófobas no Leste da Europa, abre-se a caixa de Pandora das fronteiras coloniais traçadas a regra e esquadro, há século e século e meio, pelos velhos colonialismos.
O novíssimo colonialismo engendrado pelo sistema mundial de governação serve-se dos grandes exércitos, mas também de grupos de assalto como estes ou sob outras formas de fundamentalismo religioso, político e económico. O chapéu é único: “terrorismo”.

José Goulão

 

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por Augusta Clara às 20:30

Sexta-feira, 12.07.13

Desculpe, Presidente Evo Morales - Boaventura de Sousa Santos

 

Boaventura de Sousa Santos pede desculpa a Evo Morales 

 

 

Coimbra, 10 de Julho de 2013

 

Desculpe, Presidente Evo Morales

 

   Esperei uma semana que o governo do meu país pedisse formalmente desculpas pelo ato de pirataria aérea e de terrorismo de estado que cometeu, juntamente com a Espanha, a França e a Itália, ao não autorizar a escala técnica do seu avião no regresso à Bolívia depois de uma reunião em Moscovo, ofendendo a dignidade e a soberania do seu país e pondo em risco a sua própria vida. Não esperava que o fizesse, pois conheço e sofro o colapso diário da legalidade nacional e internacional em curso no meu país e nos países vizinhos, a mediocridade moral e política das elites que nos governam, e o refúgio precário da dignidade e da esperança nas consciências, nas ruas e nas praças, depois de há muito terem sido expulsas das instituições. Não pediu desculpa. Peço eu, cidadão comum, envergonhado por pertencer a um país e a um continente que é capaz de cometer esta afronta e de o fazer de modo impune, já que nenhuma instância internacional se atreve a enfrentar os autores e os mandantes deste crime internacional. O meu pedido de desculpas não tem qualquer valor diplomático mas tem um valor talvez ainda superior, na medida em que, longe de ser um acto individual, é a expressão de um sentimento coletivo, muito mais vasto do que pode imaginar, por parte de cidadãos indignados que todos os dias juntam mais razões para não se sentirem representados pelos seus representantes. O crime cometido contra si foi mais uma dessas razões. Alegrámo-nos com seu regresso em segurança a casa e vibrámos com a calorosa acolhida que lhe deu o seu povo ao aterrarem El Alto. Creia, Senhor Presidente, que, a muitos quilómetros de distância, muitos de nós estávamos lá, embebidos no ar mágico dos Andes.

O Senhor Presidente sabe melhor do que qualquer de nós que se tratou de mais um acto de arrogância colonial no seguimento de uma longa e dolorosa história de opressão, violência e supremacia racial. Para a Europa, um presidente índio é sempre mais índio do que presidente e, por isso, é de esperar que transporte droga ou terroristas no seu avião presidencial. Uma suspeita de um branco contra um índio é mil vezes mais credível que a suspeita de um índio contra um branco. Lembra-se bem que os europeus, na pessoa do Papa Paulo III, só reconheceram que a gente do seu povo tinha alma humana em 1537 (bula Sublimis Deus), e conseguiram ser tão ignominiosos nos termos em que recusaram esse reconhecimento durante décadas como nos termos em que finalmente o aceitaram. Foram precisos 469 anos para que, na sua pessoa, fosse eleito presidente um indígena num país de maioria indígena. Mas sei que também está atento às diferenças nas continuidades. A humilhação de que foi vítima foi um ato de arrogância colonial ou de subserviência colonial? Lembremos um outro “incidente” recente entre governantes europeus e latino-americanos. Em 10 de Novembro de 2007, durante a XVII Cimeira Iberoamericana realizada no Chile, o Rei de Espanha, desagradado pelo que ouvia do saudoso Presidente Hugo Chávez, dirigiu-se-lhe intempestivamente e mandou-o calar. A frase “Por qué no te callas” ficará na história das relações internacionais como um símbolo cruelmente revelador das contas por saldar entre as potências ex-colonizadoras e as suas ex-colónias. De facto, não se imagina um chefe de Estado europeu a dirigir-se nesses termos publicamente a um seu congénere europeu, quaisquer que fossem as razões.

O Senhor Presidente foi vítima de uma agressão ainda mais humilhante, mas não lhe escapará o facto de que, no seu caso, a Europa não agiu espontaneamente. Fê-lo a mando dos EUA e, ao fazê-lo, submeteu-se à ilegalidade internacional imposta pelo imperialismo norte-americano, tal como, anos antes, o fizera ao autorizar o sobrevoo do seu espaço aéreo para voos clandestinos da CIA, transportando suspeitos a caminho de Guantánamo, em clara violação do direito internacional. Sinais dos tempos, Senhor Presidente: a arrogância colonial europeia já não pode ser exercida sem subserviência colonial. Este continente está a ficar demasiado pequeno para poder ser grande sem ser aos ombros de outrem. Nada disto absolve as elites europeias. Apenas aprofunda a distância entre elas e tantos europeus, como eu, que vêem na Bolívia um país amigo e respeitam a dignidade do seu povo e a legitimidade das suas autoridades democráticas.

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por Augusta Clara às 16:15

Quinta-feira, 16.05.13

O terrorismo de Estado em todo o seu esplendor - Nicolau Santos

 

Nicolau Santos  O terrorismo de Estado em todo o seu esplendor

 

 

 

   Publicado em As Minhas Leituras no dia 14 de Maio de 2013

   Portugal é hoje um país tolhido pelo medo, desânimo e humilhação. O medo de perder o emprego, descer na escala social, ficar sem rendimentos para manter um mínimo de vida digno. O desânimo dos desempregados, dos empregados que temem o fecho das suas empresas, dos que se vão convencendo de que esta situação se vai manter por muitos anos, dos que já perceberam que os últimos anos da sua vida serão sempre a piorar. 

A humilhação dos reformados, que têm sido perseguidos, vilipendiados, acusados, responsabilizados pela crise das finanças públicas e do desemprego entre os jovens. E humilhação também dos funcionários públicos, que o poder político acusa de benefícios exclusivos, de ganharem mais que os trabalhadores do sector privado, de falta de produtividade e de outras malfeitorias.

Este desprezo por reformados e funcionários públicos atingiu o auge nos últimos dias, com a encenação que Pedro Passos Coelho e Paulo Portas fizeram, o primeiro ao anunciar a 3 de Maio uma taxa sobre as pensões e o segundo a afirmar, a 5 de Maio, que esta era a fronteira que não podia deixar passar. Ninguém acredita que Portas não tenha tido conhecimento desta medida que o primeiro-ministro iria anunciar. E portanto é lamentável que tivesse vindo a lume, já que se for avante, depois do que Portas disse, só pode significar o fim da coligação, a queda do Governo e eleições antecipadas. 

Por isso ninguém acredita igualmente que Passos não soubesse que o ministro de Estado iria dizer isso ao país. O objetivo foi outro. Mais uma vez, o que se fez foi lançar o pânico sobre os reformados, para que aceitem medidas que cortam de novo os seus rendimentos (rendimentos a que têm direito, porque descontaram para eles, com base num contrato que estabeleceram com o Estado), mesmo que não venha a ser esta que será aplicada.

O mesmo acontece na forma como o Governo está a atuar em relação aos funcionários públicos. Sob a capa de rescisões por mútuo acordo, a proposta do Governo permite aos dirigentes pressionarem os trabalhadores a optar por esse caminho, sob pena de serem colocados na mobilidade especial. Nessa situação receberão dois terços de remuneração nos primeiros seis meses, 50% nos seis meses seguintes e nos últimos seis meses apenas 33,4%. No final dos 18 meses, se não for recolocado na administração pública, passa a uma licença sem vencimento ou pode cessar o contrato de trabalho, com direito a rescisão, mas menor do que se o fizer por mútuo acordo. 

A cereja em cima do bolo é que os funcionários que cessem o seu contrato com a administração pública não terão direito a subsídio de desemprego. Se isto não é apontar uma pistola à cabeça de uma pessoa e pedir-lhe para sair do Estado, então não sei o que é.

Ou melhor, sei muito bem. A isto chama-se terrorismo do Estado e está a ser praticado impiedosamente por este Governo conta reformados e trabalhadores da função pública, mas também contra os contribuintes e os cidadãos em geral. O objetivo é claro: reduzir o Estado a uma função meramente assistencialista e Portugal a um país com salários do Terceiro Mundo, sem nenhuns centros de decisão em mãos nacionais e que agradecerá humildemente às grandes multinacionais que se instalem cá para aproveitar os baixos custos da mão de obra nacional. 

O Governo declarou guerra sem tréguas aos portugueses. Há-de chegar a altura de os portugueses o varrerem para o caixote de lixo da História.
 

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por Augusta Clara às 08:00



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