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Jardim das Delícias


Terça-feira, 02.06.15

Amizade: procura-se - Vinícius de Moraes

ao cair da tarde 5b.jpg

 

Vinícius de Moraes  Amizade: procura-se

 

george hendrik breitner, girl in red kimono, 1893-

 

(George Hendrik Breitner)

 

Não precisa ser homem, basta ser humano, basta ter sentimentos, basta ter coração. Precisa saber falar e calar, sobretudo saber ouvir. Tem que gostar de poesia, de madrugada, de pássaro, de sol, da lua, do canto, dos ventos e das canções da brisa. Deve ter amor, um grande amor por alguém, ou então sentir falta de não ter esse amor. Deve amar o próximo e respeitar a dor que os passantes levam consigo. Deve guardar segredo sem se sacrificar.

Não é preciso que seja de primeira mão, nem é imprescindível que seja de segunda mão. Pode já ter sido enganado, pois todos os amigos são enganados. Não é preciso que seja puro, nem que seja todo impuro, mas não deve ser vulgar. Deve ter um ideal e medo de perdê-lo e, no caso de assim não ser, deve sentir o grande vácuo que isso deixa. Tem que ter ressonâncias humanas, seu principal objetivo deve ser o de amigo. Deve sentir pena das pessoa tristes e compreender o imenso vazio dos solitários. Deve gostar de crianças e lastimar as que não puderam nascer.

Procura-se um amigo para gostar dos mesmos gostos, que se comova, quando chamado de amigo. Que saiba conversar de coisas simples, de orvalhos, de grandes chuvas e das recordações de infância. Precisa-se de um amigo para não se enlouquecer, para contar o que se viu de belo e triste durante o dia, dos anseios e das realizações, dos sonhos e da realidade. Deve gostar de ruas desertas, de poças de água e de caminhos molhados, de beira de estrada, de mato depois da chuva, de se deitar no capim.

Precisa-se de um amigo que diga que vale a pena viver, não porque a vida é bela, mas porque já se tem um amigo. Precisa-se de um amigo para se parar de chorar. Para não se viver debruçado no passado em busca de memórias perdidas. Que nos bata nos ombros sorrindo ou chorando, mas que nos chame de amigo, para ter-se a consciência de que ainda se vive.

 

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por Augusta Clara às 14:00

Segunda-feira, 01.06.15

A Felicidade - Vinícius de Moraes, Toquinho e Maria Creuza

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Vinícius de Moraes, Toquinho e Maria Creuza  A Felicidade

 

 

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por Augusta Clara às 21:00

Quarta-feira, 06.05.15

Primavera - Maria Bethânia

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Maria Bethânia  Primavera

(poema de Vinicius de Moraes/música de Carlos Lyra)

 

"Ai quem me dera eu pudesse ser a tua Primavera e depois morrer"

 

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por Augusta Clara às 21:00

Terça-feira, 03.02.15

Saudades do Brasil em Portugal - Carminho

a noite fez-se para amar 1a.jpg

 

Carminho  Saudades do Brasil em Portugal

(poema de Vinicius de Moraes para Amália)

 

 

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por Augusta Clara às 21:00

Sábado, 14.12.13

Poema do Natal - Vinicius de Moraes


Vinicius de Moraes  Poema do Natal


 

(Veronese)


 

PARA ISSO fomos feitos:

Para lembrar e ser lembrados

Para chorar e fazer chorar

Para enterrar os nossos mortos —

Por isso temos braços longos para os adeuses

Mãos para colher o que foi dado

Dedos para cavar a terra.

 

Assim será a nossa vida

Uma tarde sempre a esquecer

Uma estrela a se apagar na treva

Um caminho entre dois túmulos —

Por isso precisamos velar

Falar baixo, pisar leve, ver

A noite dormir em silêncio.

 

Não há muito que dizer:

Uma canção sobre um berço

Um verso, talvez, de amor

Uma prece por quem se vai —

Mas que essa hora não esqueça

E por ela os nossos corações

Se deixem, graves e simples.

 

Pois para isso fomos feitos:

Para a esperança no milagre

Para a participação da poesia

Para ver a face da morte —

De repente nunca mais esperaremos...

Hoje a noite é jovem; da morte apenas

Nascemos, imensamente.


(in O Poeta Apresenta o Poeta, Cadernos de Poesia 4, Dom Quixote)


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por Augusta Clara às 19:00

Segunda-feira, 09.12.13

Bom dia, tristeza - Chico Buarque de Holanda


Chico Buarque de Holanda  Bom dia, tristeza

(poema de Vinícius de Moraes)


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por Augusta Clara às 21:00

Segunda-feira, 08.07.13

Procura-se um amigo - Vinicius de Moraes

 

Vinicius de Moraes  Procura-se um amigo

 

(Luís Dourdil, abraço)

   Não precisa ser homem, basta ser humano, basta ter sentimentos, basta ter coração. Precisa saber falar e calar, sobretudo saber ouvir. Tem que gostar de poesia, de madrugada, de pássaro, de sol, da lua, do canto, dos ventos e das canções da brisa. Deve ter amor, um grande amor por alguém, ou então sentir falta de não ter esse amor..Deve amar o próximo e respeitar a dor que os passantes levam consigo. Deve guardar segredo sem se sacrificar.
 

Não é preciso que seja de primeira mão, nem é imprescindível que seja de segunda mão. Pode já ter sido enganado, pois todos os amigos são enganados. Não é preciso que seja puro, nem que seja todo impuro, mas não deve ser vulgar. Deve ter um ideal e medo de perdê-lo e, no caso de assim não ser, deve sentir o grande vácuo que isso deixa. Tem que ter ressonâncias humanas, seu principal objetivo deve ser o de amigo. Deve sentir pena das pessoa tristes e compreender o imenso vazio dos solitários. Deve gostar de crianças e lastimar as que não puderam nascer.
 

Procura-se um amigo para gostar dos mesmos gostos, que se comova, quando chamado de amigo. Que saiba conversar de coisas simples, de orvalhos, de grandes chuvas e das recordações de infância. Precisa-se de um amigo para não se enlouquecer, para contar o que se viu de belo e triste durante o dia, dos anseios e das realizações, dos sonhos e da realidade. Deve gostar de ruas desertas, de poças de água e de caminhos molhados, de beira de estrada, de mato depois da chuva, de se deitar no capim.
 

Precisa-se de um amigo que diga que vale a pena viver, não porque a vida é bela, mas porque já se tem um amigo. Precisa-se de um amigo para se parar de chorar. Para não se viver debruçado no passado em busca de memórias perdidas. Que nos bata nos ombros sorrindo ou chorando, mas que nos chame de amigo, para ter-se a consciência de que ainda se vive.
 

Vinicius de Moraes

 

 

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por Augusta Clara às 20:00



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