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Jardim das Delícias


Sábado, 28.05.16

A propósito da menina brasileira violada por mais de 30, escreve Anabela Mota Ribeiro

  

frida kahlo1.jpg

 (Frida Kahlo)

   Leio sobre a menina brasileira de 16 anos violada por mais de 30 e lembro-me do quadro de Frida Kahlo "Unos Cuantos Piquetitos". A violência contra a mulher tem de ser denunciada, não pode ficar impune. E isso começa por combater a cultura que considera que 50% da culpa é delas, que são putas oferecidas, que há assuntos bem mais sérios, que, no fundo, mulher existe para servir homem. Estou tão chocada que me atrevo a dizer que o corpo daquela menina é também o nosso e que essa é uma forma de nos solidarizarmos com ela. E que ela não "engravidou de mais de 30", como dizia orgulhoso um deles. Mas que se tivesse engravidado, não poderia abortar, segundo defendem alguns dos senadores brasileiros.

Kathleen Gomes escreve um texto muito importante no Público. Está lá tudo aquilo sobre o que temos de pensar.

https://www.publico.pt/mundo/noticia/violacao-de-menor-por-30-homens-choca-o-brasil-em-vesperas-de-jogos-olimpicos-1733289?frm=pop

 

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por Augusta Clara às 18:30

Segunda-feira, 04.08.14

A guerra de Israel contra as mulheres de Gaza e os seus corpos - David Sheen

 

David Sheen  A guerra de Israel contra as mulheres de Gaza e os seus corpos

(tradução de José Colaço Barreiros)

 

 

   Publicamos a tradução de um artigo escrito a 23 de Julho por David Sheen em http://muftah.org/, que dá bem a ideia e é muito esclarecedor sobre o modo como a guerra de Israel contra a Palestina – e especialmente sobre Gaza – avança em várias frentes, incluindo a do corpo das mulheres. Uma atitude desprezível que só vem revelar aspectos sórdidos e cruentos por parte de Israel. No princípio da terceira semana do último assalto de Israel a Gaza, a força destruidora desencadeada sobre a Faixa já cobrou um tributo enorme, com mais de 650 palestinos mortos, mais de 4200 feridos – sobretudo civis – e centenas de milhares de desalojados. Como se vê em Gaza, o nível de incitamento racista antipalestino por parte dos +maiores expoentes políticos, religiosos e culturais não pára de atingir novos picos, e assume até um tom misógino. 

PROMOVER O ESTUPRO DE GAZA E DAS MULHERES JOVENS
A 21 de Julho a comunicação social israelita referiu que Dov Lior, rabino do colonato Kiryat Arb na Cisjordânia emitiu um édito religioso sobre as regras de conduta em tempo de guerra, que a seguir enviou ao ministro da Defesa do país. O édito declara que segundo a lei religiosa hebraica é lícito bombardear inocentes civis palestinos e exterminar o inimigo. Lior é tido em grande consideração e está associado ao sionismo religioso da ala conservadora. Em contrapartida, David Stav, chefe dos rabinos da cidade de Shoham, é considerado líder de uma corrente “liberal” do sionismo. Num editorial publicado no mesmo dia do édito anterior, Stav definia o assalto a Gaza como uma guerra santa, recomendada pela Torah, e que por isso tem de ser impiedosa.
Enquanto estas importantes figuras religiosas berravam a favor de uma guerra de extermínio, alguns israelitas laicos sugeriam que fizessem ataques de natureza mais perversa.
No dia seguinte a estas declarações de Lior e Stav, surgiu a notícia de que o município de Or Yehuda, situado na região costeira de Israel, imprimiu e afixou uma faixa de apoio aos soldados israelitas. A escolha dos termos do slogan sugere o estupro das mulheres palestinas. Reza o texto de tal faixa: “Soldados israelitas, os habitantes de Or Yehuda estão convosco.  Batei as mães deles e tornai a casa sabendo as vossas mães em segurança.”
Esta tradução do hebraico gansu como “bater” (em inglês “pound”, seguido da “bang”)à letra significa “bater”, mas tem também um significado coloquial que conota a penetração sexual.  No original hebraico, o duplo sentido é invertido: “gansu B” tem o significado coloquial de atacar fisicamente alguém, mas à letra significa “entrar”, sexualmente ou de outro modo – esta conotação sexual encontra-se habitualmente nas expressões linguísticas dos blogs sexuais. 
as mulheres palestinas (…)
Claramente a intenção do Conselho da cidade de Or Yehuda foi mostrar o seu apoio ao exército. Israelitas com o que terão considerado um inteligente jogo de palavras. Na realidade sugeria um encorajamento à violência para com os palestinos e também uma referência da cultura do estupro, muito difundida em Israel.
A afixação desta faixa em Or Yehuda surgiu poucos dias após a aparição de uma imagem composta que sugere a violência sexual em relação a Gaza, que foi amplamente compartilhada numa popular aplicação, Whatsapp. (…)
Se o manifesto de Or Yehuda o estupro é apenas uma alusão, e na imagem Whatsapp se joga com isso, um eminente académico veio clamorosamente lançar a ideia de usar a violência sexual contra as palestinas, exactamente ao começare
A 1 de Julho, logo a seguir ao achado dos corpos dos três rapazes desaparecidos na Cisjordânia, o  docente da Universidade de Bar Itah, Mordecai Kedar, falou à rádio israelita sobre a possibilidade de violar as mulheres palestinas com o objectivo de desencorajar o “terrorismo”, dizendo que só conscientes de que Israel pudesse enviar agentes para violar a mãe ou a irmã de um militante palestino, como punição pelos seus crimes, o poderia dissuadir de efectuar tais acções.
Nenhuma das últimas referências deverá surpreender depois de o exército israelita ter promovido Eyel Qarius ao  segundo lugar entre os mais poderosos capelães militares, uns anos após a sua decisão de estabelecer que o estupro sobre as palestinas era admissível em tempo de guerra. Só depois de o famoso blogger Yossi Gurvitz ter publicamente exposto a repugnante sentença de Março de 2002 0 rabino foi abrigado a recuar na seu veredicto.

CULPABILIZAÇÃO DAS VÍTIMAS:
MULHERES JUDIAS ISRAELITAS  APOIAM AS PALESTINAS

No último mês não foram as mulheres palestinas as únicas a ser ameaçadas de violência sexual por figuras públicas israelitas. No mesmo dia em que Kedar deu a sua odiosa entrevista, Noam Perel, rabino líder mundial da Brei Akiva, (a maior organização de jovens religiosos do mundo) tornou-se autor de um post do Facebook em que reclamava o assassínio em massa dos palestinos e que guardassem os seus prepúcios como troféus. Perel viu logo censurada a sua página devido aos seus horrendos comentários.
Tal como na maior parte das sociedades chauvinistas, são as mulheres que suportam o peso da violência sexual machista, e as mulheres judias israelitas não foram poupadas. As mulheres que professam publicamente apoio às palestinas ou às africanas que pedem asilo ou de qualquer outro grupo não-judeu em Israel são muyitas vezes vítimas de vexames, e constantemente alvo dos ultranacionalistas com ameaças de várias formas de violência sexual, entre as quais o estupro colectivo.
A violência sexual contra as mulheres judias israelitas não é perpetrada apenas por franjas enlouquecidas da direita. Hoje (23 de Julho – N. do T.) é o último dia em que Shimon Pérez será presidente. O seu imediato antecessor, Moshe Katsav, está actualmente na prisão, cumprindo uma pena por estupro e outros delitos sexuais. Amanhã em Jerusalém, Pérez será substituído por Reuven Rivlin. Rivlin obteve o título em grande parte porque os dois principais rivais,Silvan Shalom e Meir Shitrit, foram ambos credivelmente acusados de terem cometido graves crimes sexuais durante a campanha eleitoral presidencial. Igualmente o actual chefe da polícia de Jerusalém foi escolhido para substituir Nisso Shamom, que foi acusado de ter cometido uma série de crimes sexuais.
Ao crescer a níveis aterrorizantes, o incitamento antipalestino na sociedade israelita, está a misturar-se com a misoginia para criar um cocktail de ódio de potência desconhecida. Talvez, como defendem os sionistas, estes discursos não passem de bravatas e os judeus israelitas sejam incapazes de cometer o estupro como arma de guerra. Contudo, essas mesmas pessoas fizeram afirmações idênticas sobre torturas e homicídios até há um mês, quando um grupo de judeus israelitas raptou o adolescente palestino Mohammed Abu Khedar, e o obrigou a beber carburante e lhe lançou fogo, queimando-o vi
vo.

 

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por Augusta Clara às 11:00



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