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Jardim das Delícias


Terça-feira, 23.02.21

O Zeca era assim - Augusta Clara Matos

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Augusta Clara Matos  O Zeca era assim
 
 

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   O Zeca não era só o cantor popular como algumas pessoas pensam. Era um ser humano de uma grandeza ímpar aliada à maior simplicidade como nunca conheci igual. Era um poeta de primeira água e um cantor que sempre fez da sua arte uma luta pela liberdade sem tréguas nem amarras.
 
Nunca lhe foi prestada a homenagem atribuída a outros, com menos brilho e merecimento. E isto é um escândalo num país que, em democracia, até homenageia criminosos de guerra. Não gostaria de misturar lama nesta homenagem, mas não consegui.
 
Por mim recordo a homenagem do povo que o acompanhou até à última morada, o acompanhámos, em multidão, pelas ruas de Setúbal cantando as suas canções.
 
Conheci o Zeca pessoalmente. Estive em sua casa cerca de um ano antes da sua morte. Fiquei de voltar porque ele gostava que os amigos o visitassem. As voltas da vida não mo permitiram e não tornei a vê-lo. Mas guardo para sempre uma imagem que, se fosse pintora, deixaria como marca de um dos mais belos instantes que a minha memória reteve.
 
Passou-se uns anos antes, ainda ele se movimentava bem. Eu descia as escadas do edifício do quartel dos bombeiros da Praça da Alegria onde se tinha realizado uma sessão de solidariedade com a Isabel do Carmo e o Carlos Antunes que estavam presos. À minha frente descia um homem magro, simplesmente vestido, da forma como sempre o havíamos visto nos palcos. Era ele, o Zeca, que, de repente, se voltou e me disse: “Tu estás sempre em todas”. Eu não estava perante uma estrela, mas cara a cara com um homem, com toda a sua humanidade e um certo ar tímido, que me falava assim e perante quem eu me sentia tão pequenina. Foi a única e a melhor medalha que alguém me atribuiu e guardo no coração.

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por Augusta Clara às 15:51

Terça-feira, 23.02.21

Recordar Zeca Afonso - Eva Cruz

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Eva Cruz  Recordar Zeca Afonso

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(Dorindo Carvalho)

   Faz anos a 23 de Fevereiro que morreu Zeca Afonso. Surgiu na vida académica de Coimbra duas gerações antes da minha passagem por lá. No entanto, tive a sorte de o ouvir cantar ao vivo, ainda novo, numa serenata monumental no largo da Sé Velha, junto à casa onde viveu. Lá está o azulejo a lembrar: “ Nesta casa viveu o trovador da liberdade José Afonso (o Zeca)”. Juntamente com ele cantou Luiz Goes (Luís Góis), o inesquecível trovador de Coimbra, com a sua inconfundível voz de barítono.
 
Há momentos que a memória nunca apaga, como o último concerto do Zeca no Coliseu do Porto, quando as forças já lhe faltavam, e se viu obrigado a sentar-se num banquinho à boca de cena. Invadiu-nos a tristeza, mas todos cantámos. A última memória viva do Zeca para quem lá esteve. Inesquecível foi também o seu funeral, milhares e milhares de pessoas acompanhando a urna envolvida num pano vermelho sem símbolos como pedira, levada pelos amigos cantores até à campa rasa.
 
O Zeca, ainda no Liceu, já era conhecido pelo “bicho que canta bem”. “Bicho” era o nome dado aos estudantes do Liceu que também estavam sujeitos à praxe. O cantar bem livrou-o das maldades das trupes. O Zeca viveu intensamente a vida académica, as farras, as praxes, a boémia coimbrã. Tal como Adriano e Góis fez parte do Orfeão Académico. Foi balador, trovador, cantor, compositor notável. Soube adaptar a música popular portuguesa, os temas tradicionais e a poesia à palavra de protesto com a mestria de um génio. Juntamente com Adriano encarna a lenda coimbrã do combate ao fascismo e ao salazarismo na luta pelos ideais da liberdade, tendo sido o mentor da canção de intervenção em Portugal. Trilhou sempre um percurso de coerência até que uma doença incurável lhe roubou a vida, tão novo, quando tinha ainda tanto para dar à vida.
 
Pelo seu talento e genialidade, Zeca Afonso está acima do ser humano comum e devia ser lembrado sempre, não só em Abril. Com mais convicção e frequência é homenageado, celebrado, lembrado e cantado fora do nosso país. Não foi por acaso que disse um dia:” A Galiza é para mim uma espécie de Pátria espiritual”.
 
Por toda a Galiza há associações culturais e musicais recheadas de espólio do Zeca. Em Ourense, onde actuou ainda durante a ditadura de Franco, no célebre Liceo Ourensano, é admirado como um dos seus melhores músicos e cantores. “Cantigas de Maio” é uma espécie de tesouro que alguns dos nossos amigos guardam em disco por ele autografado. Na Sardenha, curiosamente, o dia Vinte e Cinco de Abril é também o dia da libertação do regime fascista de Mussolini. Um grupo de cantoras costuma entoar “Grândola Vila Morena” de Zeca Afonso em sardo ou sardenho “Grândola Bidda Morisca”.
 
A minha admiração por Zeca Afonso leva-me a pensar que as gerações mais novas deviam ser ensinadas, na Escola, a aprender com a sua grandeza e coragem a perseguir o sonho e a utopia. Na riqueza das suas letras, na beleza da sua música, na força da sua palavra há um mundo de aprendizagem que vai da poesia e da música à Literatura, à Filosofia, à História, à Vida político-social e à Fraternidade. José Afonso foi também professor e até por isso devia ser lembrado. Para além do que ensinou aos seus alunos, deixou-nos a todos uma grande lição de vida. Por isso, nunca devia ficar atrás de outros escritores e poetas que fazem parte dos currículos escolares.
 
Zeca Afonso morreu… mas… “a sua voz perdurará para lá de todos os chacais.”

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por Augusta Clara às 00:28

Quarta-feira, 15.04.20

Adão Cruz, 2019

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por Augusta Clara às 15:51

Terça-feira, 14.04.20

Adão Cruz, 2020

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por Augusta Clara às 16:46

Terça-feira, 02.08.16

No dia do aniversário do Zeca

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Zeca Afonso  Fui à beira do mar

 

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por Augusta Clara às 20:00

Segunda-feira, 25.04.16

Canto moço - Zeca Afonso

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Zeca Afonso  Canto moço

 

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por Augusta Clara às 00:01

Sexta-feira, 01.05.15

Maio maduro Maio - José Afonso

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José Afonso  Maio maduro Maio

 

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por Augusta Clara às 19:00

Sábado, 25.04.15

Zeca Afonso ao vivo no Coliseu (1983) - completo

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Zeca Afonso ao vivo no Coliseu (1983)

(Nunca esquecerei este espectáculo, o último do Zeca)

 

 

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por Augusta Clara às 21:00

Sábado, 25.04.15

QUALQUER DIA - Zeca Afonso

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Zeca Afonso  QUALQUER DIA

 

 

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por Augusta Clara às 19:00

Sexta-feira, 24.04.15

Canção da paciência - Zeca Afonso

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Zeca Afonso  Canção da paciência

 

 

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por Augusta Clara às 22:00



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