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Delícias são tudo o que nos faz felizes: um livro, a magia dum poema ou duma música, as cores duma paleta ... No jardim o sol não raia sempre mas pulsa a vida, premente.

Augusta Clara de Matos Tão cosmopolitas que eles são

Porque é que as cidades não podem ter bairros antigos com gente lá dentro?
Como é que uma vereação socialista cede à explosão da especulação imobiliária que está aí outra vez sem ter nada a ver com isso? Só pelo turismo? Não acredito.
As cidades têm de preservar a sua história e essa opção, por si só, potencia o turismo, regula-o e educa-o não permitindo que, a pretexto da entrada de divisas, hordas invadam desenfreadamente as ruelas e os bairros mais antigos cuja população, na sua maioria, envelhecida e pobre merece viver em paz os anos tardios das suas vidas.
Eu sei que os cosmopolitas de pacotilha que por aí abundam consideram quem tem esta opinião um careta que “não tem mundo”, não está aberto ao futuro, etc., etc. etc. Mas cosmopolitismo, na minha opinião, exige inteligência e gosto estético.
Ninguém nega que as cidades têm de evoluir, como tudo na vida e Lisboa já tem uma cidade nova na zona oriental. É pena que seja mais um amontoado de arranha-céus, muitos só ao alcance de detentores de vistos gold, e não se tenha aproveitado para praticar uma arquitectura arrojada mas bela como Óscar Niemeyer fez com Brasília,
Voltando aos bairros antigos do centro: para que serve uma autarquia que, em vez de recuperar as casas, interior e exteriormente, deixando em paz os seus habitantes, tratar dos pavimentos das ruas e preservar as características desses bairros também protegendo o seu património comercial e cultural – em Lisboa, têm desaparecido muitas lojas de qualidade, os cafés, os cinemas, as livrarias - aceita com toda a desfaçatez que “vem aí uma epidemia de despejos” como se fatalmente não tivesse nenhum poder na cidade?
Tenho ouvido dizer a alguns arquitectos que a sua arte tem muito a ver com o bem-estar das pessoas. Pois, por aqui, tudo se está a passar ao contrário.
Amigos cosmopolitas, olhem lá para isto com olhos de ver, sem preconceitos de “p’ra frentex”.
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