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Delícias são tudo o que nos faz felizes: um livro, a magia dum poema ou duma música, as cores duma paleta ... No jardim o sol não raia sempre mas pulsa a vida, premente.
Carlos de Matos Gomes Testemunhas de Jeová
A comunicação social portuguesa transformou-se na Sociedade Torre Vigia do Sião. A possibilidade de um governo apoiado numa maioria de esquerda converteu a comunidade jornalistas e opinadores em missionários da congregação de leitores fundamentalistas da Bíblia criada por Charles Taze na Pensilvânia, nos Estados Unidos. Todos transmitem a mensagem dos “meninos de Deus” de aviso da proximidade do fim do mundo. As televisões, as rádios, os jornais foram assaltados por bandos de pregadores bíblicos que anunciam o Armagedão, a batalha decisiva entre o Bem e o Mal.
Por obra e graça da proposta de um vulgar secretário geral de um vulgar Partido Socialista de chefiar um vulgar governo de um pequeno Estado com o apoio de um vulgar partido que reúne cidadãos oriundos de vários movimentos da esquerda europeia pós Maio 68, maioritariamente de classe média urbana e progressista e de um vulgar partido comunista que procura o seu lugar nos novos tempos históricos, os opinadores que enxameiam a comunicação social portuguesa transformaram-se em esconjuradores bíblicos. Para a comunicação social portuguesa António Costa passou a ser o Anjo do Mal. Nas redacções de jornais, rádios e televisões a escatologia passou a ser religião única. Descobrimos que existem mais Césares das Neves nas televisões, jornais e rádios que ricos nas Bahamas!
A possibilidade de um governo normal, que substitua o gangue que devastou Portugal durante quatro anos, incendiou o desejo de salvação através da palavra que existe em cada plumitivo. De repente, perante o fim do mundo que avança com António Costa à frente, a multidão de crentes nas bênçãos dos mercados subiu aos púlpitos, saiu à rua para, de porta em porta e com os olhos arregalados, a voz num sufoco, anunciar o perigo mortal que aí vem com comunistas, bloquistas e outros apóstatas do euro, da dívida, do défice, da austeridade, em suma. Passaram a ser testemunhas da única religião verdadeira, a do paga e aguenta. Passos Coelho, Paulo Portas e a sua PAF passaram à categoria de Guardiões do Templo de Jeová. Todos repetem a frase bíblica de Isaías: “Antes de mim não foi formado nenhum Deus e depois de mim continuou a não haver nenhum.”
Nada existia antes deles e nada existirá depois deles, garantem com ar zangado dos Césares da Neves as testemunhas e os meninos de Deus que desfilam por ecrãs de televisão ou em fotografias nos jornais. São as testemunhas fiéis e verdadeiras que lutam para impedir a chegada do Apocalipse.
A possibilidade de um governo do Partido Socialista, apoiado pelo Bloco de Esquerda e pelo Partido Comunista revelou que a comunicação social portuguesa é uma seita. Uma seita como a das Testemunhas de Jeová, com os seus membros subordinados a um secreto Corpo Governante, o único com autoridade para interpretar as Escrituras.
A tentativa de António Costa teve, pelo menos, o mérito de desmascarar a falsidade da independência e da pluralidade da comunicação social. Sobra uma seita de pregadores bíblicos, de Césares da Neves, que nos impingem a “Boas Novas do Reino de Deus”. Do seu. Se quiserem saber tudo o que há para saber, e salvarem-se do Mal que se aproxima leiam a Sentinela e o Despertai, os órgãos oficiais da seita.
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